sábado, 5 de junho de 2010

A prova dos professores

Estava lendo num jornal sobre a prova que o governo federal criou e quer impor aos professores da rede pública. Bom, as pessoas que mais precisam discutir sobre isso são os professores, porém, fomos consultados? Ou mais uma vez as coisas virão de cima para baixo?

No jornal em que li fala-se da oposição dos professores ao sistema de avaliação nacional proposto pelo governo federal, que será nos moldes do Enem. O editorial fala em resistência corporativa dos professores e de suas entidades representativas e isso é encarado com um fato negativo pelo editorial.

Questiono-me sobre isso, pois, desde os tempos de faculdade ouvimos falar que “prova” é algo que não “prova nada”, que o professor deve procurar por outros meios de avaliar os alunos e assim por diante. Todavia, vivemos numa sociedade de concursos públicos, embora nos seja ensinado a avaliar de outra forma. Nós professores sofremos pressão se não ensinamos para o vestibular ou se ensinamos só para o vestibular e, apesar de todas as mazelas da educação brasileira, precisamos ainda passar por mais uma prova “qualitativa”. Onde há qualidade num aluno recém formado que sai da faculdade “quentinho” para encarar uma prova, mas sem experiência em sala de aula? O que a avaliação prova realmente? Por outro lado, temos professores e professoras relaxados, preguiçosos, que se acomodam e mal conseguem realizar uma prova. O exemplo vem do ano passado: para a classificação dos professores act’s de Santa Catarina fiquei entre os primeiro lugares após a prova (somando tempo de serviço, formação e horas de cursos). A prova me ajudou muito, embora eu não tenha estudado nada, tive uma classificação excelente na mesma. Outros professores, com anos de experiência tiveram classificação bem inferior devido a prova. Por quais motivos? É só usar a imaginação. E o que isso prova? Que sou melhor que outro profissional na minha área?

O que não convence é acreditar que uma prova vai melhorar a educação brasileira. Ela é só a ponta do iceberg. O dinheiro investido na realização dessa prova poderia ser usado realmente a favor da educação. Se nós tivéssemos uma jornada de trabalho menor, também teríamos uma melhor qualidade de ensino. Ou pior, aos 29 anos de idade consigo enxergar minha aposentadoria aos 60, daqui a 31 anos... Isso se nenhum aluno me enlouquecer antes.

Meritocracia? Muitos “merecedores”, primeiros lugares são os corruptos políticos que temos hoje. Infelizmente mais uma vez vemos os professores sendo tratados de forma incoerente com a realidade.

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