quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Axé In Rio: fala o que quer e ouve o querem dizer...




Uhull....corpinho hein Claudia?

Pois então galera! Acabei de ler no site do Whiplash e fui conferir no blog da Claudinha Milk. Quer saber o que ela disse? Está aí embaixo:

“Ok. Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…
Há tanto por fazer. E pessoas com voz ativa, com acesso à internet, manifestam-se como se fossem melhores que as outras porque curtem o LED ZEPPELIN… Hein?
O desrespeito é mais fácil de ser tolerado porque é uma atitude Rock and Roll? Não seria isso alienação? Liberdade é respeitar. Liberdade é conviver com as diferenças. Liberdade é ter opinião própria. Tudo o que representa o oposto disso não cheira bem.
Misturar meu Leite com preconceito e falta do que fazer ia dar em mer… rs Certamente, essas pessoas queriam estar na platéia do Rock in Rio, quiçá naquele palco.
Artistas internacionais vêm pra cá, mostram a bunda, atrasam-se por 2 horas pq estão dando uma festinha no camarim, não conseguem conciliar a respiração com o canto, não preparam espetáculos para o nosso povo, desafinam, enfim, pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus “espetáculos” em nossa terra, aplaudimos a tudo isso. Ah! É Rock! É Pop! É bom!”

Primeiro erro: comparar os roqueiros com nazistas! E que erro palha, como dizemos aqui! Virou lugar-comum comparar os outros com nazistas. Me senti ofendido agora, muito. É assim que ela quis mostrar respeito?

Erro dos roqueiros: um colega de trabalho certa vez me disse que heavy metal era música de playboy, porque os “metaleiros” que ele conhecia eram todos filhinhos de papai. Eu critiquei ele dizendo que não, porém depois pensei melhor e vi que a maioria dos bangers que eu conhecia eram plebas mesmo...rsrsrrs...Eu e meus amigos éramos os únicos pobres que curtiam metal....hauhauhaa...Não, é sério gente. Hoje até percebi uma pequena mudança, mas é porque vivemos numa cidade pequena, já em Criciúma, a cidade pólo regional daqui, muitos roqueiros assume sim uma atitude de superioridade perante o resto do povo. E, pasmem, na internet já vi muito roqueiro idiota defender ditadura militar, nazismo e uma porrada e meia pagando pau para os países nórdicos europeus. Sem contar o desprezo descarado pela cultura brasileira!

Isso, nós bangers e roqueiros em geral precisamos aprender e mudar. Vale o ditado, não está contente aqui no Brasil, te muda pra Noruega. Agora, só não reclama se o preconceito lá for contra você...rsrsrsr

Erro três: desrespeito não é atitude Rock’n’Roll. É atitude de gente mal educada ou mal intencionada. Ter opinião própria significa ir além daquilo que a mídia oferece e impõe, no caso, significa “consumir” música por gosto, e não por falta de opção ou imposição via rádio e televisão. É como alguém que disse no fórum do Whiplash, se não oferecem nada além de modas musicais, como podem querer que o povo escute outros estilos musicais?

E quer saber? Passou da hora de mudar o nome do evento. Em Içara, cidade próxima daqui, tem uma casa de eventos, ou como dizíamos antigamente, uma “discoteca”, chamada “Casa do Rock”. Lá não toca rock e já faz anos isso. Então que mudem o nome de Rock in Rio para Pop in Rio como querem alguns. O que pensariam se o Metallica tocasse num trio elétrico em Salvador? 

Erro quatro: sabe porque os artistas internacionais vem pra cá e pintam e bordam? Porque não há pecado abaixo do equador, infelizmente. Isso vai mais longe que nós e nossa mentalidade colonizada. E nisso até mesmo os roqueiros tem grande parcela de culpa. Fazer uma banda de metal e por nome em inglês é mais bonito? Mal dominamos nossa própria língua e queremos pagar pau para estrangeirismos!!!! Isso sim é ridículo. E se os artistas internacionais pintam o sete aqui é porque se criou uma cultura de banalidade em terras tupiniquins: o sexo é banal e as relações também são. É por isso que lindas cantoras de axé, por exemplo, sobem nos palcos mostrando todas suas curvas insinuantes: seduz-se pela imagem mais que pela voz. E depois reclamam que os gringos fazem a festa aqui? Sinceramente, paro por aqui....

leia mais aqui no Whiplash.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

O estresse da sala de aula... o estresse dos professores...



Pois bem, li hoje no facebook da Amanda Gurgel sobre os problemas da greve de Minas Gerais, a greve dos professores. Já ultrapassa os 100 dias... “Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos”... Me leva a pensar qual o meu lugar no mundo. Poxa, pessoal, mais de 100 dias de greve do magistério mineiro! Professores nas ruas, praças, manifestos! O que estão fazendo com nosso país? Que porcaria de governo é esse que não ouve os professores???!!!

Acabei de suspirar profundamente e me acomodar no banco. Infelizmente meu computador tem se tornado meu amigo mais fiel, responsável por toda assimilação de minhas dúvidas cruéis. E no blog expresso tudo que sinto. Esse mundo virtual só nos distancia do mundo real. Esse comodismo tecnológico todo só nos transforma cada vez mais em zumbis e nem percebemos. E nossos jovens e crianças, principalmente, meus alunos, e suas famílias tão desestruturadas que desestruturam nossas escolas.

O que falar de nós professores que já não tenha sido dito? Qual a nova reclamação que veremos dos professores? Que culpa tem meus colegas e minhas colegas de profissão? Se as salas de aula transformaram-se no inferno que constantemente ouvimos ser descrito, o que podemos fazer? Por acaso fiz quatro de faculdade e mais dois de especialização para lecionar para pobres crianças diabólicas? Céus! É assim que nos referimos aos nossos alunos! E com tanta propriedade! E o que fazemos para mudar tudo isso? Por mais que tentemos nada muda! Plantamos sementes, mas nos desesperamos porque as jogamos em meio ao lixo e não na terra fofa! E é muito difícil observar as flores brotarem em meio a podridão!


Por Zeus, estou a desqualificar a todos hoje... Estou muito triste, enraivecido, desmotivado... Voltei de 62 dias de greve ferido, indignado, sem forças, preparado para bater de frente com todos meus colegas que não estiveram presentes, porém, ao invés disso eu recebi sorrisos. Os sorrisos de pessoas que lutaram uma semana menos, 10 dias a menos, não importa. Sorrisos de pessoas que nem lutaram, que só acompanharam. Sorrisos daqueles que somente se acomodaram porque não precisam disso ou do mísero salário de professor. Nada disso importa. O que realmente importa é o que nós fazemos, cada um, a sua pequena parte! Porque, mesmo não passando de uma reles partícula de nada nesse mesmo universo, é a nós que todo esse universo se curva para poder se admirar com toda nossa capacidade!

Capacidade de viver as mais improváveis anomalias que qualquer ser humano pode vivenciar! Crianças que sobrevivem à escola pública brasileira, que sobrevivem às ruas brasileiras! Sobrevivemos ao baixo nível das produções televisivas, sobrevivemos ao baixo teor das modas musicais. Nossas crianças esbofeteadas por seus pais, estimuladas ao sexo pela televisão, pela música veiculada pela mídia, estupradas por seus parentes e familiares, estimuladas desde cedo ao consumo das drogas e martírio diário de todo seu potencial jogado na latrina!


Assistimos ao descaso dos órgãos públicos com nosso futuro, pois ao negar os direitos fundamentais das crianças negam-nos a possibilidade de sonhar com dias melhores! E por tudo isso ofendem a nossa existência, os nossos sonhos! E pior ainda: inculcam em nós misérias comodistas tecnológicas e conformistas como sonhos que somos obrigados a desejar! E desejamos ser apenas a platéia iludida de um espetáculo aproveitado apenas por aqueles que podem comprar tudo aquilo que os olhos veem!

E tudo isso desaba sobre a nossa educação, nossas tão sucateadas escolas públicas! E o desprezo com a pobreza se torna algo tão banal que é ate comum ouvir o pobre falar mal do pobre. E como ferem as palavras. E como eu machuco aos que me rodeiam com palavras. Porque temos sempre que deixar as palavras nos ditar nossas atitudes? E porque não fazemos de nossas atitudes o instrumento para o pensar e para acomodar nossas palavras? Queremos um mundo melhor e o que fazemos? Imitamos e louvamos o mundo que aí está! Defendemos valores apodrecidos de tanto serem mal usados e nem sequer nos damos conta que o mundo mudou. O mundo mudou? E nós? O que somos hoje? Que mundo queremos? O mundo defendido por nossas vestes, atos e palavras? Queremos um futuro mais saudável, queremos que nossos alunos cumpram regras, e nos cumprimos? Queremos um futuro radiante e será que o conseguiremos “dando milho aos pombos”? Queremos ser exemplo ou só seguir o que já nos dizem para fazer?

Estamos estressados, nós professores. Todos nós, os que vão para a escola a pé, de bicicleta, ônibus ou carro. Todos estamos muito estressados, com medo, desmotivados, revoltados e atirando para todos os lados. Estamos ferindo nossos colegas, nossos alunos e a nós mesmos. Muitos reclamam que os alunos não estudam, não se esforçam, não lêem, contudo, são exatamente como os alunos. Que contradição!

Eu cansei, eu segurei muito tempo e hoje eu estourei. Eu busco sempre o melhor e nunca estou satisfeito com o resultado. Quando descobri a tal de síndrome de “burn out” me vi ali, em cada sintoma. Fui revendo meus conceitos e percebendo o meu papel no mundo, mas ainda sou uma mula teimosa. Eu fico triste, cheio de ódio e nunca contente. Altero momentos de profunda melancolia com saltos de euforia. Eu me preocupo com o presente de meus alunos porque o futuro deles também será o meu. E brinco dizendo-lhes que pelo menos um deles terá que ser psiquiatra, outro cardiologista e outro advogado para me ajudar quando me aposentar. E muito me entristece ouvir-lhes reclamar de meus colegas de profissão. É nesse momento que me questiono o quanto bom ou mau professor devo estar sendo. Quando reclamam de meus colegas eu tomo a dor alheia de meus colegas, mesmo que eles não saibam ou sintam isso. Eu sou assim.

Se criticam o Brasil, é a mim que criticam. Se criticam Santa Catarina, é a mim que criticam. Se criticam minha cidade, Forquilhinha, é mim que criticam. Falam das pessoas de meu bairro, falam de mim. Falam dos professores, por Hera!, é de mim que estão a falar! E se a crítica é dirigida ao povo, eu sou povo e me orgulho disso.

Não é um diploma que vai me garantir uma suposta superioridade perante aqueles que sofrem e sustentam esse país! E eu mesmo mereço essa crítica, pois o que ensino aos meus alunos é que devem lutar, sempre!

O que são os herois? Alguém já viu o Superhomem, Hulk, Goku ou Thor fugir de uma luta? Por isso são herois. Mas nós, nós encaramos os problemas, ou ficamos com nossa praça, o milho e os pombos? Por isso me faço essa autocrítica tão fundamental. E por isso também percebo que sou incompleto, incapaz e não merecedor de toda glória vindoura que qualquer um pode almejar. E mesmo assim, pequena partícula desesperada com um amanha que pode até não vir, o universo está aí, antes de nós e para muito e muito tempo depois.

Que Apolo me guie com os raios do carro do Sol. Sobreviver em sala de aula é puro heroísmo, para todos os professores. O pouco que fazemos ali pode ser melhorado, sim. Mas é o que fazemos e por isso merecemos respeito! Por isso merecemos brigar de vez em quando e até mesmo estourar. E por isso mesmo devemos nos recolher e rever nossos atos e palavras. Pedir desculpas aos colegas é bom começo. Como professores somos uma classe. Somos derrotados todos os dias e não desistimos. Então, isso é derrota? Se essa nossa insistência na sala de aula for derrota, o que seria a vitória? Estamos estressados sim, e sem limite algum. E já passou da hora da sociedade civil e do Estado entender que a educação é uma boa arma para combater fome, miséria e violência. Caso contrário, vamos todos viver “sossegadamente” trancafiados em lindos condomínios vigiados 24 horas por dia. Quem sabe poderemos dar milho aos pombos em paz...

Professor Wagner Fonseca, 20 de setembro de 2011...hoje acometido de algo ruim...não gosto de gritar nem de brigar com as pessoas... o que me alivia é uma calma música instrumental....


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domingo, 18 de setembro de 2011

O Império Napoleônico, breve resumo

O golpe do 18 brumário levou Napoleão ao poder juntamente com outros dois cônsules. Ele representava os anseios da burguesia em sufocar a esquerda revolucionária e a reação monarquista. Ele foi mais além, pois ascendeu a imperador e das mãos do papa pos diretamente a coroa em sua cabeça. Os outros dois cônsules perderam toda sua importância e Napoleão demonstrava a volta da igreja católica a França sem distúrbios.
Na política Napoleão buscou resolver em partes os problemas da sociedade francesa, mas sempre tendo em vista a ordem burguesa.
No plano internacional destituiu monarcas estabelecidos e criou novas repúblicas para seus parentes e generais governarem. Tentou impor à Europa a sua maneira, porém, ninguém esquecia que ele fora um soldado da revolução que havia decapitado o rei.


Como forma de impor a hegemonia francesa à Europa, Napoleão criou o Bloqueio Continental: o impedimento dos produtos britânicos de entrarem no continente. As hostilidades aos franceses aumentaram e Napoleão começou a acumular algumas derrotas, a maior na tentativa de invadir e Rússia.

Embora tenha sido levado ao poder pela própria burguesia, a mesma se via traída por Napoleão. Os seus excessos levaram-no a ruína. Sua corte era praticamente a imitação do Antigo Regime, seus exércitos estavam com a moral baixa. Depois de enfrentar uma coligação liderada pela Inglaterra, abdicou do trono e se exílio na Ilha de Elba, de onde retornou furtivamente e retomou o trono francês, mas novamente derrotado foi obrigado a abandonar o trono de vez e cumprir pena na Ilha de Santa Helena, possessão britânica no Atlântico Sul, onde veio a falecer em cinco de maio de 1821.  
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A Revolução Francesa


A crise do absolutismo




A revolução de 1789 veio em contraponto ao Antigo Regime: desde a época de Luís XIV que se questionava o direito divino dos reis e a hierarquia social e seus privilégios que distanciavam cada vez mais pobres de ricos.
Antes de 1789 a população francesa dividia-se em três partes:
1° estado: o alto clero,
2º estado: a nobreza real e rural, bem como alguns poucos burgueses que ao longo dos séculos haviam adquirido títulos de nobreza hereditários, a nobreza de toga;
3º estado: 98% da população composta pelo povo em geral, setores do baixo clero e burguesia. Esses sustentavam a pequena minoria.

Essa estrutura social rigidamente hierarquizada não conseguia mais conter as animosidades do terceiro estado em relação aos outros dois. Além disso, o terceiro estado tinha os pressupostos intelectuais e ideológicos do iluminismo ao seu lado. A teoria liberal e a ânsia do individualismo frente a uma sociedade coercitiva foram as ferramentas que levaram a burguesia a exercer o seu papel revolucionário para por fim as formas de dominação do antigo regime. A qualificação e o mérito passaram a ser vistos como mais importantes que os privilégios de nascimento.

As causas da crise, então, estavam ligadas ao social, ao político e ao econômico. A burguesia se via amputada perante os tratados internacionais entre a França e outros países, bem como as limitações existentes na produção manufatureira. Além disso, o aumento populacional também gerou uma crise agrícola de falta de alimentos.
O fator político foi de fundamental importância. Em 1787 a proposta de igualdade de impostos não foi o suficiente para amenizar os ânimos. Luís XVI tentou realizar a reforma fiscal e também política, mas era tarde. Propôs-se a convocação dos Estados Gerais, todavia, o número de representantes do terceiro estado não era suficiente, mesmo duplicando seus lugares. Percebia-se entre clero, nobreza e alta burguesia o anseio pela liberdade individual e à propriedade privada.

A convocação dos Estados Gerais se deu em maio de 1789 e representou uma vitória aos Terceiro Estado: o voto “por cabeça”. O rei percebendo a força do movimento sugere que os outros estados unam-se ao terceiro e formem uma Assembleia Nacional Constituinte. No dia 14 de julho as massas populares tomam símbolo do poder absolutista: a Torre da Bastilha, prisão real. É o marco da revolução e o rei é obrigado a reconhecer o poder dos deputados constituintes. A revolução espalhou-se pelo campo onde os pobres invadiam castelos e até mesmo massacravam seus donos. Esse período ficou conhecido como Grande Medo.
A assembleia toma as primeiras medidas: abolição gradual dos direitos feudais, Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, confisco das terras da Igreja. Embora nobreza e clero fossem atingidos pelas novas medidas, o poder real ainda precisava ser podado. Assim, a constituição de 1791, que dizia que todos eram iguais perante a lei, não foi o suficiente: os “iguais” excluíam grande parte da população. O projeto burguês moderado não alcançava a todos. A nobreza exilada no exterior preparava-se para retomar o que havia perdido. A família real tenta fugir, mas é reconduzida a Paris. Outros países, receosos da onda revolucionária, tentam intervir, mas adquirem mais ojeriza do povo que não gostou da ideia de outros países se envolvendo nos problemas internos franceses. 
A assembleia constituinte foi dissolvida e em seu lugar a assembleia legislativa proclamou que a pátria estava em perigo: começava a guerra contra Áustria e Prússia. A população foi armada e venceram os exércitos de ambos os países. A Comuna de Paris passa a exercer o poder e pede o afastamento do rei, que acaba sendo deposto pelo povo. É eleita a Convenção Nacional e teve fim a monarquia.

Direita ou esquerda?
  
Eram assim denominados os grupos políticos que se assentavam nos respectivos lados do plenário: à direita estavam os contra-revolucionários, aristocratas e absolutistas; à esquerda sentavam-se os revolucionários e patriotas.
A esquerda era formada por grupos como jacobinos, que tinham várias filiais e cobravam mensalidade de seus membros para participarem das reuniões; e os girondinos que, diferentemente dos anteriores, permitiam a participação da massa excluída.
Coube a Convenção Nacional a administração da República estabelecida em setembro de 1792. Até o calendário cristão fora substituído por um calendário que enfatizava a relação homem-natureza. 
A hegemonia ficou nas mãos dos girondinos, mas durou pouco. A pressão tanto interna quanto externa levou os jacobinos ao poder. Os sans-culotes ainda brigavam por democracia direta. No segundo ano do período republicano os jacobinos, liderados por Robespierre, trouxeram uma Constituição mais radical e mais democrática, inclusive com direito a subsistência: ninguém poderia viver na miséria. As mulheres tiveram alguns avanços, mas tímidos ainda.
Robespierre instaurou o período conhecido como Terror, uma política de enfretamento severo dos problemas da nação. Atacou tanto os sans-culotes e a esquerda quanto a direita. Executou Hébert, Danton e Desmoulins e, por fim, terminou preso e excutado com Saint-Just.
Com isso a revolução entrou em refluxo. A Reação Termidoriana, como ficou conhecido o golpe de Estado, marcou o fim da participação popular no movimento e levou novamente e burguesia ao poder. Instalava-se o Diretório, que tinha objetivo de criar uma Constituição que desse ampla liberdade a burguesia. Em 1796, liderados por Graco Babeuf, a Conspiração dos Iguais fora sufocada pelo Diretório e seus líderes executados.
O exército francês lutava no exterior e uma figura se destacava: Napoleão Bonaparte, que as 25 anos já era herói nacional. No dia 9 de novembro, 18 brumário, um novo golpe de Estado levou Bonaparte, Sieyés e Roger Ducos ao poder. 
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Revolução industrial, breve resumo


Pioneirismo inglês


Facilitado pela consolidação da monarquia parlamentar que priorizou o lucro privado e desenvolvimento industrial, pela lei do “Enclosure Acts”, a Inglaterra teve condições de iniciar a sua industrialização. Os cercamentos nada mais eram do que a monopolização das terras para arrendamento e exploração da mão-de-obra. No início a produção era apenas interna e voltada as necessidades mais básicas. Posteriormente, a indústria da lã e algodão torna a produção mais agressiva e inicia o processo de expansão imperialista. A produção de lã estava voltada a secular tradição do campo, enquanto a produção de algodão relacionava-se diretamente a exploração colonial.
O desenvolvimento também da indústria de base foi importante. Siderurgia e metalurgia, vinculadas às ferrovias e indústria bélica, bem como a utilização do carvão. Há também que se destacar o tratamento dado pelos historiadores sobre o avanço técnico-científico da época, pois não há consenso sobre o tema. Na verdade, é preciso entender que a revolução industrial não foi apenas pautada na criação de máquinas: as fábricas já existiam e também algumas máquinas. O que se teve foi a intensificação do sistema fabril que alcançou outros níveis da esfera social.
A própria ideia do trabalho muda: o que antes era visto como castigo e dor, agora é tratado com algo que dignifica o homem e o engrandece perante os olhos de Deus. E o trabalhador tornou-se um “apêndice” de máquina nas palavras de Marx, aquele que não controla mais toda a produção. O trabalhador é um alienado, pois o que produz não é seu e ele não vê o resultado final.   
Além disso, a exploração da mão-de-obra infantil e feminina, mais baratos, foi intensificada. A jornada de trabalhos começava muito antes do sol nascer e terminava muito além dele se por: doze ou até dezoito horas por dia! Direitos trabalhistas nulos, poluição ambiental, bairros pobres e insalubres. Relações sociais que se modificavam.
A consequência lógica foram os movimentos de trabalhadores que reivindicavam melhores condições de trabalho e sobrevivência. O ludismo teve origem em Nedd Ludd, segundo a tradição, o primeiro operário a quebrar as máquinas. Mas os movimentos não se resumiam a quebradeiras, pois buscavam atuação política, representatividade e perspectivas futuras. O movimento cartista, por exemplo, tentou unir uma grande massa na reivindicação de seus direitos que foram incorporados posteriormente.  
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As Revoluções Inglesas


O despertar revolucionário


No século XVII burguesia e pequena nobreza aliaram-se e em conjunto tornaram hegemônico o parlamentarismo
O inicio do século XVII é marcado pelo intenso nacionalismo inglês identificado à causa protestante. Durante o governo de Elizabeth I a Inglaterra havia derrotado a Espanha, porém, houve o desequilíbrio das finanças do reino. Com a morte de Elizabeth I, sem deixar herdeiros, seu primo, o rei da Escócia, Jaime Stuart assumiu o trono.
Defensor do direito divino dos reis, Jaime I não agradou aos puritanos e a imposição de medidas de monopólio real só aumentaram o descontentamento geral: muitos puritanos migraram para a América.
Com a morte de Jaime I, seu filho Carlos Stuart assumiu o trono. Tão autoritário quanto o pai, quase provocou uma guerra contra os escoceses ao obrigar-lhes seguir o anglicanismo – a maioria escocesa era presbiteriana. Carlos I ascendeu ao trono, mas assinou a Petição de Direitos, que proibia a Coroa de convocar o exército ou adotar medidas econômicas sem a prévia aprovação dos parlamentares.
Entretanto Carlos I continuou com suas mediadas autoritárias e só aumentou o conflito entre a Coroa e a população em geral. Como consequência, foi obrigado a convocar o Parlamento e, por fim, acabou invadindo-o.

O Parlamento inglês era dividido entre os que possuíam poder: a Câmara dos Lordes era composta pelos grandes proprietários de terra e títulos e pela cúpula do clero, sendo seus cargos hereditários. A Câmara dos Comuns era composta pela grande burguesia e a pequena nobreza. Embora fossem os “representantes” do povo, é evidente que o povo não era representado por ninguém na prática.
Porém, as diferenças de classe e religiosas aumentavam. A Câmara dos Comuns criou o seu próprio exército: Exército de Novo Tipo. Seguidores de seitas puritanas e outros grupos hostis à Igreja Anglicana, seus membros ficaram conhecidos como “cabeças redondas” devido ao seu característico corte de cabelo. Oliver Cromwell era o organizador e líder do movimento. A participação de plebeus era enaltecida por ele, pois homens honestos comandando homens honestos venceriam os “cavaleiros” nobres e corruptos.    
A participação e a liberdade de organização entre o exército permitiu o surgimento de novas ideias políticas. Os niveladores defendiam a população pobre e exigiam liberdade irrestrita religiosa e igualdade jurídica a todos. Os diggers eram contra a propriedade particular e real do solo e exigiam que os terrenos fossem usados pela população pobre para sua sobrevivência. 

A guerra civil estava instalada. Cromwell consegue esmagar a resistência dos lordes forçando a fuga de Carlos I. Contudo, os presbiterianos mais moderados tentavam estabelecer um acordo com a realeza, pos viam com maus olhos a onda democrática. Tentaram desmobilizar o Exército do Novo Tipo, mas foram derrotados. Cromwell assumiu o poder, dissolveu a Câmara dos Lordes e ficou a frente da república que fora instalada. Expediu o Ato de Navegação que beneficiava os setores mercantil e naval. Entretanto, não conseguiu agradar a todos, pois niveladores e diggers sentiam-se traídos por um governo republicano que não conseguia tirar o povo da miséria.
Cromwell acabou se tornando um tirano e, embora tenha realizado algumas conquistas no plano internacional para a Inglaterra, proclamou-se Lorde Protetor da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Após seu falecimento, seu filho assumiu o poder, mas fora deposto. Em seu lugar ascendeu ao trono recomposto pela nobreza o filho do rei decapitado, Carlos II.

A partir daí outro movimento de grande importância surge: a Revolução Gloriosa, assim conhecida por não derramar nenhuma gota de sangue. Os atritos entre Carlos I e o parlamento levaram a sua deposição e ascensão de seu irmão, Jaime II, que morreu sem deixar herdeiros. De inclinação católica, também sofreu a impopularidade e problemas com o Parlamento. A situação só fora contornada com a chegada do holandês Guilherme de Orange, casado com Maria Stuart II, ao trono. Surgia na Inglaterra uma nova monarquia, de cunho parlamentar, a qual possuía grandes trunfos como o Bill of Rights. A Inglaterra estava a um passo da consolidação da ordem liberal burguesa e o capitalismo encontrava seu terreno fértil. 
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O que foi o Iluminismo?

Foi um movimento de ideias que floresceu no continente europeu entre os séculos XVII e XVIII. Seus filósofos estavam preocupados em levar a “luz da razão” para um mundo dominado pelas “trevas da ignorância”. A razão torna-se então o escopo de suas doutrinas, a única capaz de fazer a humanidade progredir.


Como princípios básicos o Iluminismo tinha:
- Universalidade: o projeto visava todos os seres humanos, independentemente de barreiras nacionais ou étnicas;
- Individualidade: os seres humanos devem ser vistos como pessoas concretas e não apenas como integrantes de uma coletividade;
- Autonomia: os homens são livres para pensar como lhes convêm, independente de ideologia religiosa ou política e para agir no domínio público a fim de sobreviver.

Entretanto, o Iluminismo não foi um movimento homogêneo, mas fruto de uma mentalidade da época, compartilhada inclusive por reis e rainhas. Embora propusesse grandes mudanças, era um movimento reformista: os iluministas defendiam um Estado centralizado, contudo, a burguesia viu no movimento a semente da transformação social que poderia livrar-lhe da dominação monárquica e religiosa.

Teóricos iluministas:

John Locke (1632-1704)

Defendia a existência de um Poder Executivo como mero agente do Poder Legislativo. Em sua teoria destacava que os homens viviam em liberdade natural, onde todos eram iguais e não havia Estado constituído. Para poder sobreviver e salvaguardar a propriedade privada, os homens criam o Estado e através de um “contrato” passam a viver em sociedade respeitando-se mutuamente. Foi o pai do liberalismo político. Dizia que um representante do povo não poderia ter poderes ilimitados, pois era o responsável pela manutenção da ordem estabelecida, aquela na qual o Estado protege a propriedade individual de cada cidadão.

Denis Diderot (1713-1784)

Contestador radical do absolutismo real e enciclopedista.
“[...] Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de gozar dela logo que goze da razão [...]”

Voltaire (1694-1778)

Afirmava que todos os homens são dotados pela natureza do direito à liberdade, à propriedade e à proteção das leis. Não era totalmente um democrata, pois era a favor de uma monarquia esclarecida. Mesmo assim foi perseguido. Tinha posições contrárias a igreja católica, tecendo-lhe severas críticas, como por exemplo, que ela deveria se submeter às leis do Estado.

Montesquieu (1689-1755)

Achava que o despotismo era o regime de governo apropriado aos países com vastos territórios, a monarquia limitada constituía o ideal para os de tamanho médio e a república representava a forma de governo mais adequada aos países pequenos.
Para Montesquieu, os homens tem a tendência natural de abusar de qualquer parcela de poder que lhes seja confiada.

O que é a liberdade?

“É bem verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste em fazer o que se quer. Num Estado, isto é, numa sociedade em que existem leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer o que se deve querer e a não ser coagido a fazer o que não se deve querer (...) A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; e se um cidadão pudesse fazer o que elas proíbem, ele não teria mais liberdade, porque os outros também teriam esse poder”. [O espírito das leis]

Segundo Montesquieu, para evitar um governo despótico, o poder deveria ser dividido em três partes autônomas:
Poder Legislativo: equivalente as câmaras de deputados federais e estaduais e vereadores – responsável pela elaboração de leis;
Poder Executivo: equivalente ao presidente da república ou ao rei, o governador do Estado e o prefeito – responsável pela administração do território e execução das leis;
Poder Judiciário: juízes e magistrados federais e estaduais – responsável pela fiscalização do cumprimento das leis.
Assim dividido o poder, cada esfera seria um contrapeso às outras.

Jean-Jacques Rosseau (1712-1778)

Diferentemente dos outros filósofos iluministas, Rosseau tinha origens modestas e compartilhava de Locke a ideia dos homens viverem primordialmente no estado natural, entretanto, para ele haveriam poucas possibilidades de conflitos, pois não havia propriedade privada para ninguém poder tirar de ninguém. Porém, num determinado momento os homens passaram a demarcar as terras e impor-se como proprietários. Surgiu então a desigualdade social e a única forma de estabelecer a harmonia entre todos foi um contrato social no qual se cria o Estado e a própria sociedade: um acordo onde cada um respeita a vontade da maioria.

“O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer ‘isto é meu’ e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, quantas guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: ‘defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!”

Rosseau defendia a ideia de que a bondade natural dos homens foi pervertida pela civilização. Para ele o Estado era um mero executor da vontade soberana do povo representada pelo sufrágio universal sendo então o poder limitado pelas aspirações populares.

Immanuel Kant (1724-1804)

Filosofo prussiano que conciliou as correntes empirista e idealista. Para ele a soberania pertencia ao povo, contudo, dividia a sociedade em dois tipos de cidadãos: independentes e dependentes. Os primeiros eram os proprietários, não dependiam dos outros, por isso podiam exprimir opinião política; os segundos seriam os que dependiam dos outros, por isso não podiam opinar.

Os economistas surgidos na época defendiam o fim da intervenção do Estado na vida pública e particular, bem como na economia. Surgia a Escola Fisiocrata, um grupo de economistas que defendiam que as atividades extrativista e agropecuária eram mais importante que o comércio, pois este apenas representava a passagem de uma mercadoria entre mãos diferentes.
O ideário fisiocrata de não intervenção estatal se era “Laissez faire, laissez passer et lemonde va de lui-même”, ou seja, “Deixa fazer, deixa passar e o mundo marcha sozinho”.

Adam Smith (1723-1790) afirmava que era o trabalho produtivo e não a agricultura a verdadeira fonte de toda riqueza. Compactuava de algumas ideias do “laissez faire”, mas com ressalvas, pois acreditava que o Estado precisava intervir às vezes. Via a divisão do trabalho especializado como uma forma que facilitaria a produção de bens e tornaria o mundo numa verdadeira oficina.
“A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não dos príncipes”.

David Ricardo (1772-1823) afirmava que o salário nunca seria o suficiente para os trabalhadores. “O preço natural do trabalho é aquele que fornece aos operários em geral os meios de subsistir e de perpetuar sua espécie sem crescimento nem diminuição”.
Segundo ele, o valor de uma mercadoria depende da quantidade relativa de trabalho necessário para produzi-la e não da remuneração maior ou menor concedida ao operário.

Thomas Malthus (1766-1834) era a favor do controle de natalidade, pois a população sempre cresceria mais que a produção.

John Stuart Mill (1806-1873) defendia a limitação do crescimento populacional e a criação de cooperativas para amenizar os efeitos destrutivos do capitalismo que condenava as classes trabalhadoras à miséria.

Baseados nos ensinamentos iluministas, vários monarcas resolveram fazer reformas em suas administração com o intuito de se adequar as estruturas econômicas burguesas em ascensão. Era o chamado despotismo esclarecido, caracterizado por utilizar os pressupostos teóricos iluministas sem abrir mão do absolutismo na prática política.
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em defesa da cultura brasileira!!!

Estava reassistindo o documentário "Atrás da porta" hoje com meus alunos e senti uma raiva intensa dentro de mim...

Como ainda pode haver coisa desse tipo????
Quando assistimos a esse documentário na faculdade no mês passado uma colega chorou e muito. Outra pouco se abalou. Um colega lembrou dos condomínios populares que estão sendo construídos e na hora saquei que é uma ótima maneira de matar mais pobres: melhor construir edifícios, porque quando demolir mata-se mais pobres!
Será que é realmente isso que estão pensando em fazer????

Para que copa num país atrasado e violento como o nosso? Será que nossos políticos acham que enganam os outros países construindo uma imagem de ordem e progresso que não existe???

Estou cansado de ver essa desvalorização da nossa cultura! Do nosso povo mais humilde! Eu com certeza devo odiar muito a riqueza!!! Odeio o luxo também e toda essa hipocrisia alheia de pessoas preocupadas com o futuro! VSF!!!!

É essa porcaria de falsidade e virtualismo insano nos enterrando cada vez mais dentro de nossas cavernas!!!!

Foda-se malhação, novelas, campeonato brasileiro, copa, funk carioca, sertanejo universitário e esses políticos semi alfabetizados!!!

Porque tanta depreciação com nosso Brasil???????

Nossos adolescentes que só conhecem os filmes que a globo passa. Aí fica fácil criticar o cinema nacional!
Comunidades do orkut intituladas "Odeio MPB", "Odeio música brasileira", "Odeio cultura brasileira", e pergunto para esses ineptos: vocês conhecem a cultura brasileira? ou são só mais uns pobres coitados colonizados intelectual e culturalmente?

Como um sujeito que fala português e come arroz com feijão pode odiar a cultura brasileira???? O que entende de cultura um sujeito desse????

Uma pessoa dessa deve parar de falar o seu português agora mesmo!!!! E como deve ser cheia de cultura, não é mesmo????

Estou cheio disso...

Modo de raiva gama ativado hoje! Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Suicídio virtual

Tenho sonhos acordado e durmo de olhos abertos/amanhece e sol me convida a viver/sou zumbi atônito...

 Já cometi suicídio virtual no orkut, agora penso seriamente em suicídio no facebook e twitter...

A vontade é de deletar tudo, tudo mesmo, esquecer de vez esse meio mundo muita hipocrisia e cinismo!!!!

Voltar apenas a viver a realidade, cruel e benfazeja realidade com toda sua podridão e flores....

Apagar de vez do hd da minha cabeça todas as mesmas poses das fotos do orkut...

Apagar de vez todas as promoções e frases de efeitos do facebook... Apagar meus rastros
Detonar todas as meias frases e meios contos do twitter... Todas as sílabas e letras embotadas!!!!

Todo dia eu tento isso e cada vez mais encontro mil motivos para fazê-lo.... Mas falta força...

Ao longo dos anos redescobri amigos, reinventei amizades e conheci ideias e ideais, sonhos e magias, morte e brutalidade...

Também encontrei pessoas amigas e muita falsidade... É por tudo isso que não consigo abandonar esse pequeno mundo gigantesco virtual....
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A nova medida do homem

Eis um pequeno resumo que preparei para meus alunos do 1º ano do Ensino Médio sobre seis grandes temas dos séculos XV e XVI:


1 As grandes navegações

A partir das Cruzadas do século XI a economia medieval se reaqueceu e o comércio ressurgiu, alavancando o renascimento urbano. Gênova e Veneza, ambas as cidades na península itálica, monopolizaram o comércio marítimo mediterrânico com o Oriente. Com o fortalecimento das monarquias nacionais e principalmente da burguesia, esses se lançaram em busca de novos caminhos para atingir as Índias Orientais.


Portugal se destacou como pioneiro por sua estratégica posição entre as rotas marítimas que ligavam o Mediterrâneo e os mares do no Norte da Europa. Além disso, os lusos possuíam muitos conhecimentos de navegação, a monarquia lusitana ansiava por mais poder, os nobres mais terras, os pobres trabalho, os burgueses, comércio, e a Igreja visava continuar com o projeto das Cruzadas e espalhar a fé cristã. Assim, em 1415 teve início a expansão marítima portuguesa, seguida de perto pela Espanha. Logo outras potências européias entraram na disputa mercantil marítima.

2 O Renascimento

Chamamos de Renascimento um movimento surgido entre os séculos XIV e  XVI, difundido principalmente entre as elites européias. Negando em grande parte a cultura produzida durante a Idade Média, os renascentistas visavam a busca dos valores greco-romanos. O coletivismo feudal também fora deixado de lado, sendo substituído por um individualismo cada vez mais crescente. Deus deixar de ser o centro de tudo (teocentrismo) para dar lugar ao antropocentrismo (o homem o centro da criação), ou humanismo, que valorizava o racionalismo como maior obra divina. 


Com a invenção da imprensa de Gutenberg, o saber propiciou uma burguesia letrada e difundiu cada vez mais os valores renascentistas e também os valores pregados pelos reformistas religiosos.
A busca de referenciais gerais (universalismo), regras que pudessem explicar o mundo e a natureza de foram racional, levou à criação de novos modelos anatômicos e físicos, bem como filosóficos.
Na península itálica o Renascimento teve o seu berço, visto que reminiscências do Império Romano e a proximidade do Império Bizantino favoreceram o contato com a cultura greco-romana. Além disso, o forte comércio da região possibilitou a formação de uma burguesia rica que, entre outras coisas, praticava o mecenato: famílias burguesas poderosas financiavam artistas e intelectuais em geral, tornavam-se mecenas, e assim auxiliaram e muito o crescimento artístico da região. 
Embora no início os artistas ainda abordassem muitos temas religiosos, traziam uma novidade: as obras eram assinadas. Os autores medievais, anônimos, se consideravam apenas artífices do Criador. E mesmo as obras escritas deixavam de ser na língua da igreja, o latim, para serem redigidas nas nascentes línguas locais e dialetos das monarquias nacionais que começavam a se firmar. Surgia assim, também, o nacionalismo.
Dante Alighieri, por exemplo, ao escrever sobre o tema religioso fez também crítica a Igreja. Giotto, embora pintasse a imagem de Cristo, o fazia extremamente realista, visando despertar emoções.
Na arquitetura, o gótico dá o lugar aos temas da antiguidade clássica. Os santos passam a ser pintados com extrema humanidade e temas pagãos também tornaram-se comuns. Sem contar as técnicas do sfumatto e da perspectiva. Da Vinci, Michelangelo, Fra Angélico forma grandes artistas e pesquisadores. Além desses, destacaram-se inúmeros outros artistas renascentistas como: Dürer, Van Eyck, Brughel, El Greco, Cervantes, Shakespeare e outros. Na filosofia destacaram-se Morus, Erasmo, Montaigne e Maquiavel, considerado pai da filosofia política.
Na ciência também houve muitas evoluções, embora seja um tanto incorreto falar em Renascimento, pois durante a Idade Média a ciência não foi totalmente esquecida. Enquanto a Europa não mostrava muita evolução, nesse sentido, os árabes estavam a sua frente. Porém, as descobertas renascentistas também forma fundamentais e destacaram-se nomes como Copérnico, Kepler e Galileu.

3 A Reforma Religiosa

O século XVI viu o movimento da Reforma Religiosa. A Igreja Católica sempre foi criticada, mesmo durante a Idade Média e mesmo perseguindo os hereges (aqueles que pensavam diferente dela). E o luxo que dividia o alto clero do baixo clero era uma denúncia constante.
Martinho Lutero
As críticas recaíam sobre as vendas de indulgências (objetos considerados sagrados), os abusos dos papas corruptos, que se casavam indiscriminadamente, casavam seus filhos com filhos de ricos, criavam postos que não existiam, viviam da luxuria e tinham em tudo atitudes nem um pouco “cristãs”.
Surgiu a figura de Martinho Lutero, monge agostiniano que pregava contra os dogmas da Igreja Católica. Considerava que cada um era livre para interpretar a bíblia, a única fonte de salvação, e que essa salvação era baseada em Cristo e não nos sacramentos da Igreja. Aboliu o culto a Nossa Senhora e aos santos. Foi excomungado pela Igreja, mas teve grande apoio da burguesia e nobreza germânica que ansiavam por expropriar as terras da Igreja e deixar de pagar impostos. Inevitavelmente estouraram revoltas, sendo uma comandada por Tomas Müntzer, que foi repudiado pelo próprio Lutero e acabou morto. Por fim, em 1555 deu-se “Paz de Augsburgo”, que reconhecia dois terços do sacro Império Romano Germânico com protestante.
Outro nome de destaco foi o francês João Calvino. Perseguido, instalou-se na suíça, onde teve apoio de Ulrich Zwingli. Os calvinistas acreditavam na predestinação divina: os homens nascem para ser salvos ou não e a fé seria o sinal da salvação. A prosperidade econômica passou a ser vista como sinal da salvação predestinada: quem enriquecia através do trabalho, por exemplo, agradava aos olhos de Deus. Os burgueses adoraram isso.
Na Inglaterra o rei Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e, mesclando elementos da Igreja Calvinista, criou a Igreja Anglicana, cujo líder é o próprio monarca. Henrique VIII não tinha filhos e, temendo que seu país perdesse a soberania após sua morte, resolveu casar-se novamente. O papa não permitiu. Ele rompeu com a Igreja, confiscou-lhe todos os bens e iniciou uma nova Igreja.
Entretanto, a Igreja Católica não aceitou todas essas mudanças e iniciou a chamada “Contra-Reforma”. Convocou o Concílio de Trento, reformulou a Inquisição, criou seminários, o index – lista de livros proibidos aos católicos – e todos os protestantes tornaram-se hereges. Estava pronto o palco para inúmeros conflitos violentos que resultaram em muitas mortes em nome de Deus. A paz só findou em 1654 com os Tratados da Westfália.

4 O Absolutismo

O absolutismo foi um sistema político que garantia poderes ilimitados ao monarca. O monarca absolutista é o símbolo das monarquias nacionais que haviam se formado no final da Idade Média. A burguesia apoiava o rei porque acreditava que era o único que podia unificar o sistema tributário, proteger o mercado nacional e acabar com todos os impostos feudais.
A Igreja, que a princípio fora contra a centralização do poder real, colocou-se ao lado dos reis, devido a perda de espaço para o protestantismo. Assim, também os nobres visaram o poder real na tentativa de garantir seus privilégios e posses, uma vez que estavam enfraquecidos perante a ascensão burguesa.


Vários filósofos legitimavam o absolutismo. Maquiavel, em sua obra “O Príncipe”, descreveu uma série que fatores necessários para que o monarca mantivesse-se no poder. Entre eles, manter uma aparência sadia e agradável, mesmo que fosse um crápula e ser violento se necessário.
Thomas Hobbes (1588-1679) dizia que o soberano era o resultado do acordo feito entre os próprios homens para que os mesmo conseguissem viver em sociedade. Somente um poder forte e centralizado seria capaz de manter a ordem.
Jean Bodin (1530 – 1596) afirmava que o poder real emanava de Deus, sendo então inviolável.  Jacques Bossuet compartilhava das ideias de Bodin.
de Deus, sendo enter real emanva a capaz de manter a ordem. acordo feito entre os proprios   Durante a Revolução Francesa, em 1789, convencionou-se chamar a época do absolutismo de Antigo Regime, pois para os revolucionários se tratava de um tempo que deveria ser encerrado para o nascimento de um novo e melhor momento.
O absolutismo francês caracterizou pelas disputas religiosas entre católicos e protestantes, os huguenotes. Essa disputa se refletia nas famílias Guise e Bourbons, que levaram a França à Guerra dos Trinta Anos contra o Sacro Império Romano-Germânico. O ápice do absolutismo francês foi o rei Luís XIV, ao qual se atribui a frase “O Estado sou eu”.
O absolutismo inglês ficou marcado pela figura de Henrique VIII, que rompeu com a Igreja Católica, confiscando suas terras e criando a Igreja Nacional da Inglaterra, Igreja Anglicana. Com sua filha, Elizabeth I, a Inglaterra alcançou grande desenvolvimento econômico. A diferença do absolutismo inglês em relação aos outros países europeus estava na existência do Parlamento, que limitava o poder real.

5 AS REVOLUÇOES INGLESAS

Tiveram início após a morte de Elizabeth I, pois essa não deixou herdeiros, sendo substituída por seu primo, Jaime Stuart, conhecido pela centralização política e perseguição de seus opositores calvinistas. Seu sucessor, Carlos I, entrou em conflito com os calvinistas escoceses, com o próprio Parlamento e a pequena nobreza puritana, liderada pó Oliver Cromwell. Após o término do conflito, ele foi decapitado e Cromwell passou a comandar o Parlamento.
O período em que Cromwell esteve a frente do poder político inglês, a monarquia esteve afastada. Entretanto, Cromwell tornou-se ditador e, apesar garantir certo crescimento econômico com sua política econômica mercantilista aliada aos burgueses, pouca atenção dava aos problemas sociais. 


Pouco tempo depois novamente a dinastia Stuart assume novamente o poder, porém, o Parlamento depõe Jaime II, sendo o trono assumido por Mary Stuart e Guilherme de Orange, que assina a Petição de Direitos. O poder real é então restringido e o capitalismo consolida-se na Inglaterra com a ascensão da burguesia. Esse movimento final ficou conhecido como Revolução Gloriosa, pois nenhuma gota de sangue fora derramada.

6 O MERCANTILISMO

O mercantilismo é um conjunto de ideias e práticas econômicas desenvolvido pelos Estados absolutistas europeus. Acumular metais preciosos era uma dessas práticas, pois o ouro e a prata erma excelentes para cunhar moedas e eram aceitos em todo o mundo.


As características do mercantilismo foram:
- metalismo: acumular metais preciosos. Um país só era considerado rico se possuísse boas reservas;
- balança comercial favorável: países que não dispunham de fontes de metais precisavam exportar mais e importar menos;
- protecionismo alfandegário: o Estado criava impostos que protegiam a produção interna em detrimento do comércio externo, ou seja, o que vinha de fora tinha que ser mais caro do que o produzido dentro do país;
- pacto colonial: era um monopólio que garantia que apenas a metrópole comercializasse com a colônia, o que garantia a riqueza apenas a ela.
Ainda assim, cada país desenvolveu o seu sistema: a França teve o industrialismo e o colbertismo, nos quais o Estado incentivava as manufaturas; os Países Baixos criaram o comercialismo, voltado às parcerias Estado e comerciantes; a Inglaterra por outro lado, uniu os dois sistemas; Espanha e Portugal desenvolveram o colonialismo, devido ao seu vasto império colonial pós-Grandes Navegações. Contudo, como não investiram em manufaturas, no século XVIII entraram em declínio econômico ao exaurirem suas minas.

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