sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em defesa da cultura brasileira!!!

Estava reassistindo o documentário "Atrás da porta" hoje com meus alunos e senti uma raiva intensa dentro de mim...

Como ainda pode haver coisa desse tipo????
Quando assistimos a esse documentário na faculdade no mês passado uma colega chorou e muito. Outra pouco se abalou. Um colega lembrou dos condomínios populares que estão sendo construídos e na hora saquei que é uma ótima maneira de matar mais pobres: melhor construir edifícios, porque quando demolir mata-se mais pobres!
Será que é realmente isso que estão pensando em fazer????

Para que copa num país atrasado e violento como o nosso? Será que nossos políticos acham que enganam os outros países construindo uma imagem de ordem e progresso que não existe???

Estou cansado de ver essa desvalorização da nossa cultura! Do nosso povo mais humilde! Eu com certeza devo odiar muito a riqueza!!! Odeio o luxo também e toda essa hipocrisia alheia de pessoas preocupadas com o futuro! VSF!!!!

É essa porcaria de falsidade e virtualismo insano nos enterrando cada vez mais dentro de nossas cavernas!!!!

Foda-se malhação, novelas, campeonato brasileiro, copa, funk carioca, sertanejo universitário e esses políticos semi alfabetizados!!!

Porque tanta depreciação com nosso Brasil???????

Nossos adolescentes que só conhecem os filmes que a globo passa. Aí fica fácil criticar o cinema nacional!
Comunidades do orkut intituladas "Odeio MPB", "Odeio música brasileira", "Odeio cultura brasileira", e pergunto para esses ineptos: vocês conhecem a cultura brasileira? ou são só mais uns pobres coitados colonizados intelectual e culturalmente?

Como um sujeito que fala português e come arroz com feijão pode odiar a cultura brasileira???? O que entende de cultura um sujeito desse????

Uma pessoa dessa deve parar de falar o seu português agora mesmo!!!! E como deve ser cheia de cultura, não é mesmo????

Estou cheio disso...

Modo de raiva gama ativado hoje! Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Suicídio virtual

Tenho sonhos acordado e durmo de olhos abertos/amanhece e sol me convida a viver/sou zumbi atônito...

 Já cometi suicídio virtual no orkut, agora penso seriamente em suicídio no facebook e twitter...

A vontade é de deletar tudo, tudo mesmo, esquecer de vez esse meio mundo muita hipocrisia e cinismo!!!!

Voltar apenas a viver a realidade, cruel e benfazeja realidade com toda sua podridão e flores....

Apagar de vez do hd da minha cabeça todas as mesmas poses das fotos do orkut...

Apagar de vez todas as promoções e frases de efeitos do facebook... Apagar meus rastros
Detonar todas as meias frases e meios contos do twitter... Todas as sílabas e letras embotadas!!!!

Todo dia eu tento isso e cada vez mais encontro mil motivos para fazê-lo.... Mas falta força...

Ao longo dos anos redescobri amigos, reinventei amizades e conheci ideias e ideais, sonhos e magias, morte e brutalidade...

Também encontrei pessoas amigas e muita falsidade... É por tudo isso que não consigo abandonar esse pequeno mundo gigantesco virtual....
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A nova medida do homem

Eis um pequeno resumo que preparei para meus alunos do 1º ano do Ensino Médio sobre seis grandes temas dos séculos XV e XVI:


1 As grandes navegações

A partir das Cruzadas do século XI a economia medieval se reaqueceu e o comércio ressurgiu, alavancando o renascimento urbano. Gênova e Veneza, ambas as cidades na península itálica, monopolizaram o comércio marítimo mediterrânico com o Oriente. Com o fortalecimento das monarquias nacionais e principalmente da burguesia, esses se lançaram em busca de novos caminhos para atingir as Índias Orientais.


Portugal se destacou como pioneiro por sua estratégica posição entre as rotas marítimas que ligavam o Mediterrâneo e os mares do no Norte da Europa. Além disso, os lusos possuíam muitos conhecimentos de navegação, a monarquia lusitana ansiava por mais poder, os nobres mais terras, os pobres trabalho, os burgueses, comércio, e a Igreja visava continuar com o projeto das Cruzadas e espalhar a fé cristã. Assim, em 1415 teve início a expansão marítima portuguesa, seguida de perto pela Espanha. Logo outras potências européias entraram na disputa mercantil marítima.

2 O Renascimento

Chamamos de Renascimento um movimento surgido entre os séculos XIV e  XVI, difundido principalmente entre as elites européias. Negando em grande parte a cultura produzida durante a Idade Média, os renascentistas visavam a busca dos valores greco-romanos. O coletivismo feudal também fora deixado de lado, sendo substituído por um individualismo cada vez mais crescente. Deus deixar de ser o centro de tudo (teocentrismo) para dar lugar ao antropocentrismo (o homem o centro da criação), ou humanismo, que valorizava o racionalismo como maior obra divina. 


Com a invenção da imprensa de Gutenberg, o saber propiciou uma burguesia letrada e difundiu cada vez mais os valores renascentistas e também os valores pregados pelos reformistas religiosos.
A busca de referenciais gerais (universalismo), regras que pudessem explicar o mundo e a natureza de foram racional, levou à criação de novos modelos anatômicos e físicos, bem como filosóficos.
Na península itálica o Renascimento teve o seu berço, visto que reminiscências do Império Romano e a proximidade do Império Bizantino favoreceram o contato com a cultura greco-romana. Além disso, o forte comércio da região possibilitou a formação de uma burguesia rica que, entre outras coisas, praticava o mecenato: famílias burguesas poderosas financiavam artistas e intelectuais em geral, tornavam-se mecenas, e assim auxiliaram e muito o crescimento artístico da região. 
Embora no início os artistas ainda abordassem muitos temas religiosos, traziam uma novidade: as obras eram assinadas. Os autores medievais, anônimos, se consideravam apenas artífices do Criador. E mesmo as obras escritas deixavam de ser na língua da igreja, o latim, para serem redigidas nas nascentes línguas locais e dialetos das monarquias nacionais que começavam a se firmar. Surgia assim, também, o nacionalismo.
Dante Alighieri, por exemplo, ao escrever sobre o tema religioso fez também crítica a Igreja. Giotto, embora pintasse a imagem de Cristo, o fazia extremamente realista, visando despertar emoções.
Na arquitetura, o gótico dá o lugar aos temas da antiguidade clássica. Os santos passam a ser pintados com extrema humanidade e temas pagãos também tornaram-se comuns. Sem contar as técnicas do sfumatto e da perspectiva. Da Vinci, Michelangelo, Fra Angélico forma grandes artistas e pesquisadores. Além desses, destacaram-se inúmeros outros artistas renascentistas como: Dürer, Van Eyck, Brughel, El Greco, Cervantes, Shakespeare e outros. Na filosofia destacaram-se Morus, Erasmo, Montaigne e Maquiavel, considerado pai da filosofia política.
Na ciência também houve muitas evoluções, embora seja um tanto incorreto falar em Renascimento, pois durante a Idade Média a ciência não foi totalmente esquecida. Enquanto a Europa não mostrava muita evolução, nesse sentido, os árabes estavam a sua frente. Porém, as descobertas renascentistas também forma fundamentais e destacaram-se nomes como Copérnico, Kepler e Galileu.

3 A Reforma Religiosa

O século XVI viu o movimento da Reforma Religiosa. A Igreja Católica sempre foi criticada, mesmo durante a Idade Média e mesmo perseguindo os hereges (aqueles que pensavam diferente dela). E o luxo que dividia o alto clero do baixo clero era uma denúncia constante.
Martinho Lutero
As críticas recaíam sobre as vendas de indulgências (objetos considerados sagrados), os abusos dos papas corruptos, que se casavam indiscriminadamente, casavam seus filhos com filhos de ricos, criavam postos que não existiam, viviam da luxuria e tinham em tudo atitudes nem um pouco “cristãs”.
Surgiu a figura de Martinho Lutero, monge agostiniano que pregava contra os dogmas da Igreja Católica. Considerava que cada um era livre para interpretar a bíblia, a única fonte de salvação, e que essa salvação era baseada em Cristo e não nos sacramentos da Igreja. Aboliu o culto a Nossa Senhora e aos santos. Foi excomungado pela Igreja, mas teve grande apoio da burguesia e nobreza germânica que ansiavam por expropriar as terras da Igreja e deixar de pagar impostos. Inevitavelmente estouraram revoltas, sendo uma comandada por Tomas Müntzer, que foi repudiado pelo próprio Lutero e acabou morto. Por fim, em 1555 deu-se “Paz de Augsburgo”, que reconhecia dois terços do sacro Império Romano Germânico com protestante.
Outro nome de destaco foi o francês João Calvino. Perseguido, instalou-se na suíça, onde teve apoio de Ulrich Zwingli. Os calvinistas acreditavam na predestinação divina: os homens nascem para ser salvos ou não e a fé seria o sinal da salvação. A prosperidade econômica passou a ser vista como sinal da salvação predestinada: quem enriquecia através do trabalho, por exemplo, agradava aos olhos de Deus. Os burgueses adoraram isso.
Na Inglaterra o rei Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e, mesclando elementos da Igreja Calvinista, criou a Igreja Anglicana, cujo líder é o próprio monarca. Henrique VIII não tinha filhos e, temendo que seu país perdesse a soberania após sua morte, resolveu casar-se novamente. O papa não permitiu. Ele rompeu com a Igreja, confiscou-lhe todos os bens e iniciou uma nova Igreja.
Entretanto, a Igreja Católica não aceitou todas essas mudanças e iniciou a chamada “Contra-Reforma”. Convocou o Concílio de Trento, reformulou a Inquisição, criou seminários, o index – lista de livros proibidos aos católicos – e todos os protestantes tornaram-se hereges. Estava pronto o palco para inúmeros conflitos violentos que resultaram em muitas mortes em nome de Deus. A paz só findou em 1654 com os Tratados da Westfália.

4 O Absolutismo

O absolutismo foi um sistema político que garantia poderes ilimitados ao monarca. O monarca absolutista é o símbolo das monarquias nacionais que haviam se formado no final da Idade Média. A burguesia apoiava o rei porque acreditava que era o único que podia unificar o sistema tributário, proteger o mercado nacional e acabar com todos os impostos feudais.
A Igreja, que a princípio fora contra a centralização do poder real, colocou-se ao lado dos reis, devido a perda de espaço para o protestantismo. Assim, também os nobres visaram o poder real na tentativa de garantir seus privilégios e posses, uma vez que estavam enfraquecidos perante a ascensão burguesa.


Vários filósofos legitimavam o absolutismo. Maquiavel, em sua obra “O Príncipe”, descreveu uma série que fatores necessários para que o monarca mantivesse-se no poder. Entre eles, manter uma aparência sadia e agradável, mesmo que fosse um crápula e ser violento se necessário.
Thomas Hobbes (1588-1679) dizia que o soberano era o resultado do acordo feito entre os próprios homens para que os mesmo conseguissem viver em sociedade. Somente um poder forte e centralizado seria capaz de manter a ordem.
Jean Bodin (1530 – 1596) afirmava que o poder real emanava de Deus, sendo então inviolável.  Jacques Bossuet compartilhava das ideias de Bodin.
de Deus, sendo enter real emanva a capaz de manter a ordem. acordo feito entre os proprios   Durante a Revolução Francesa, em 1789, convencionou-se chamar a época do absolutismo de Antigo Regime, pois para os revolucionários se tratava de um tempo que deveria ser encerrado para o nascimento de um novo e melhor momento.
O absolutismo francês caracterizou pelas disputas religiosas entre católicos e protestantes, os huguenotes. Essa disputa se refletia nas famílias Guise e Bourbons, que levaram a França à Guerra dos Trinta Anos contra o Sacro Império Romano-Germânico. O ápice do absolutismo francês foi o rei Luís XIV, ao qual se atribui a frase “O Estado sou eu”.
O absolutismo inglês ficou marcado pela figura de Henrique VIII, que rompeu com a Igreja Católica, confiscando suas terras e criando a Igreja Nacional da Inglaterra, Igreja Anglicana. Com sua filha, Elizabeth I, a Inglaterra alcançou grande desenvolvimento econômico. A diferença do absolutismo inglês em relação aos outros países europeus estava na existência do Parlamento, que limitava o poder real.

5 AS REVOLUÇOES INGLESAS

Tiveram início após a morte de Elizabeth I, pois essa não deixou herdeiros, sendo substituída por seu primo, Jaime Stuart, conhecido pela centralização política e perseguição de seus opositores calvinistas. Seu sucessor, Carlos I, entrou em conflito com os calvinistas escoceses, com o próprio Parlamento e a pequena nobreza puritana, liderada pó Oliver Cromwell. Após o término do conflito, ele foi decapitado e Cromwell passou a comandar o Parlamento.
O período em que Cromwell esteve a frente do poder político inglês, a monarquia esteve afastada. Entretanto, Cromwell tornou-se ditador e, apesar garantir certo crescimento econômico com sua política econômica mercantilista aliada aos burgueses, pouca atenção dava aos problemas sociais. 


Pouco tempo depois novamente a dinastia Stuart assume novamente o poder, porém, o Parlamento depõe Jaime II, sendo o trono assumido por Mary Stuart e Guilherme de Orange, que assina a Petição de Direitos. O poder real é então restringido e o capitalismo consolida-se na Inglaterra com a ascensão da burguesia. Esse movimento final ficou conhecido como Revolução Gloriosa, pois nenhuma gota de sangue fora derramada.

6 O MERCANTILISMO

O mercantilismo é um conjunto de ideias e práticas econômicas desenvolvido pelos Estados absolutistas europeus. Acumular metais preciosos era uma dessas práticas, pois o ouro e a prata erma excelentes para cunhar moedas e eram aceitos em todo o mundo.


As características do mercantilismo foram:
- metalismo: acumular metais preciosos. Um país só era considerado rico se possuísse boas reservas;
- balança comercial favorável: países que não dispunham de fontes de metais precisavam exportar mais e importar menos;
- protecionismo alfandegário: o Estado criava impostos que protegiam a produção interna em detrimento do comércio externo, ou seja, o que vinha de fora tinha que ser mais caro do que o produzido dentro do país;
- pacto colonial: era um monopólio que garantia que apenas a metrópole comercializasse com a colônia, o que garantia a riqueza apenas a ela.
Ainda assim, cada país desenvolveu o seu sistema: a França teve o industrialismo e o colbertismo, nos quais o Estado incentivava as manufaturas; os Países Baixos criaram o comercialismo, voltado às parcerias Estado e comerciantes; a Inglaterra por outro lado, uniu os dois sistemas; Espanha e Portugal desenvolveram o colonialismo, devido ao seu vasto império colonial pós-Grandes Navegações. Contudo, como não investiram em manufaturas, no século XVIII entraram em declínio econômico ao exaurirem suas minas.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Vasculhando velhas provas...

Às vezes, na verdade muitas vezes, estou vasculhando meus arquivos pelo computador e reencontro guardadas minhas avaliações, trabalhos, aulas e sem querer rostos começam a povoar minha mente. Rostos, situações, apresentações de trabalhos, teatros, “micos” dos mais diversos pagos pelos alunos e nossos passeios, saídas a campo, viagem de estudos, visitas à universidade. Ali estão eles, todos eles, em cada linha de cada trabalho, prova, etc.

Vou à estante e estão lá impressos centenas, milhares de páginas da vida de professor e mais e mais rostos aparecem na mente. Uns tantos já se foram embora, outros foram morar noutro mundo e nem se despediram... Assim é nossa vida.

E cá estamos novamente a preparar aula, trabalho prova, avaliação, etc. Elaborar projetos e inúmeros outros planos que talvez não saíam jamais do papel, o que pouco incomoda, pois no papel sempre estará guardado. Tenho seus poemas de uma aula sobre educação, outros sobre dia das mães, alguma crônica talvez.

Mesmo os que já partiram continuam vivos em cada lembrança forçando o nosso desejo de não desistir dessa tarefa difícil que é educar um país!

Que eu tenha força para poder continuar sempre por cada um de vocês!!!  

Prof. Wagner Fonseca, 05 de setembro de 2011
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O orgulho de ser professor ACT


O orgulho de ser professor ACT

O ano era 2009, um ano ruim para mim, mas consegui vence-lo a duras penas. Mas naquele ano algo bom aconteceu. Estava sentado em frente ao computador vi o comercial da Plataforma Freire. Fiquei atônito com a possibilidade de poder fazer outra faculdade de graça. No meu caso, ou seria filosofia ou sociologia, disciplinas que mexem comigo!

E lá estava eu fazendo a inscrição e já observando o grande problema: as aulas seriam ministradas nas sextas-feiras, vespertino e noturno; e nos sábados, matutino e vespertino. Um trem muito puxado, como dizem. Depois de dois anos tendo aulas aos sábados na pós-graduação, novamente aulas aos sábados... Mas eu encarei. E em novembro de 2009 iniciamos nossa turma com 50 pessoas! Aquilo era o máximo, poder finalmente estudar algo que sempre quis e já lecionava: sociologia. A falta de professores habilitados em todo o país fez o governo criar o projeto, totalmente grátis, não poderia perder a chance. Porém, no início os problemas se avolumaram. Lecionar 40 horas semanais e ainda estudar mais 20 horas é coisa só para “professor novo, forte, não para quem já tem anos de sala de aula”. Isso era o que diziam meus colegas e minhas colegas de profissão. Para mim quem já desistiu de estudar poderia também desistir da sala de aula. Professor bom é aquele que sempre se renova e não fica parado no tempo com a mesma “metodologia” ultrapassada.

Bem, eis a primeira parte de meu pensar, que está um tanto bagunçado devido aos últimos eventos. 

Tenho vários colegas e amigos ACT’s, todos na mesma condição que eu ou ainda pior. Ser humilhado por professores mais antigos é algo normal, como já pude constatar com vários deles. Comigo nunca aconteceu, diretamente, mas indiretamente já ocorreu várias vezes. Quando um colega ou uma colega ACT é humilhado por algum professor efetivo ou diretora, é a mim que se dirige a ofensa também. Quando decidi ser professor o fiz também por saber que não trabalharia aos sábados, sempre soube que poderia trabalhar de segunda de manhã até sexta a noite. Isso nunca me incomodou, pelo contrário. E hoje, minha situação é bem mais complicada, como podem perceber. Continuo lecionando as 40 horas semanais e estudando mais 20 horas, sendo o domingo, o “dia da família”, reservado para corrigir provas, trabalhos, preparar aulas, estudar, ler, planejar. Descanso não faz parte. Alguns diriam que isso é DESUMANO, o que é uma barbárie. Meus alunos, infelizmente, vivem em situação que colega algum de profissão vive, mas muitos desses colegas não conseguem enxergar isso devido a sua soberba (nem gosto dessa palavra). Não descem de seus altares. 

Eu não fiz juramento algum quando me formei, entretanto, assumi um compromisso muito grande quando escolhi essa profissão, um compromisso com o futuro, o mesmo de meus alunos. Por isso me apavoro, me assusto e às vezes até me deprimo: porque me preocupo com o nosso futuro. Esse é mais um motivo para eu não parar de estudar e continuar lutando por mim, por eles e por meus colegas professores! Lutar... Ta difícil isso daí...

Dois meses de greve e os professores ACT’s levando o movimento na garra, na coragem, no peito, encarando tudo que poderia vir! Naquele momento nós fomos indispensáveis, contudo, e agora? Vi professores e professoras pegando seus atestados médicos, nós mal podemos faltar um mísero dia. Converso com meus companheiros ACT’s e ouço deles a mesma indignação: enquanto sofremos calados, os efetivos pegam licença para tratamento de saúde. Dizem que é desumano trabalhar nas condições em que trabalham. Muitos simplesmente se jogaram nas cordas, mais do que antes da greve, ma ficaram dois meses curtindo os dias frios de pijama. Nós adoecemos, pegamos frio, chuva, fizemos bico porque o nosso nunca é garantido. Estudar mais? Fazer outra faculdade? Mestrado? Para que? Ficar na educação? Só se for louco! É o que dizem. Típico discurso de derrotados. Hipócritas! É assim que defendo-me das ofensas que vejo! 

As pessoas não entendem que a vida não é algo fácil, estamos aqui para lutar, para crescer, não para nos conformar. Em alguns momentos, eu sei, precisamos voltar para nossa concha, rever nosso conceitos, é o que estou fazendo. Mas abandonar a minha profissão porque perdi uma guerra?! Não sou tão derrotado assim! E hoje, mais do que nunca, começo a pensar na famosa avaliação dos professores. A temível avaliação dos professores. Sabem porque muitos temem? Porque pararam no tempo, simples assim. A falta de compromisso de nossos educadores é que estraga nossa educação. Não me importam se ficam discutindo novelas na sala dos professores, isso não me afeta mais. Não me importam se ficam defendendo o Jabor, o Prates, ou se o assunto mais importante é o Domingão do Faustão. Nada disso mais me incomoda. Tenho que me concentrar no que é mais importante. 

Sou professor há oito anos e em todo esse tempo só faltei ao trabalho por motivo de doença, e isso é algo raro. Faltar não faz parte de mim, muito menos pagar alguém para me substituir. Aliás, essa prática deveria ser revista de perto. Faltar por qualquer coisa é algo desumano que o professor faz com o aluno. É, eu sei, não podemos defender o aluno, não podemos mesmo. Até porque ninguém nos defende, não é? Não é mesmo. Quando encontro meus alunos nos corredores da faculdade fica latente que temos muitos que nos defendem, pois sabem que fizemos um bom trabalho. Por outro lado, estou cansado de ficar defendendo meus colegas de profissão. A partir de hoje não faço mais isso. Quando algum aluno ou aluna vier reclamar para mim de algum professor ou professora devido a sua prática pedagógica não vou nem dar atenção. Que se entendam!

Estou triste, decepcionado e muito enraivecido com meus colegas de trabalho. Lembro de quando assinei meu contrato para trabalhar na Seara Alimentos, estava lá: fazer hora extra. Eu fiz durante muito tempo, mas a faculdade me tirou essa obrigação, muito cansaço. Minha esposa trabalha lá hoje, de segunda a sábado, conversamos pouco durante a semana e no domingo nosso passatempo juntos é, muitas vezes, limpar a casa. Desumano? Não. Mas muito errado. Assim como professores faltam com seu dever por qualquer motivo banal.

Respeito muito meus colegas e amigos professores e professoras efetivos e comprometidos como sucesso e futuro de nossos alunos. Aos outros, espero por vocês na próxima greve, porque eu quero estar lá, se possível. Espero que vocês também.

Professor Wagner Fonseca, de história e sociologia. Com sangue nos olhos, como diria o Ed....rsrsrsr.....05/09/11


  
                                                                                                                    
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