segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A morte alheia te incomoda?




Se a morte, seja de quem for, te incomoda, não compactue com as ideias de quem apoia a tortura, de quem apoia violência, de quem acredita na morte como vitória.

Se a morte, seja de quem for, seja como for, te incomoda, não apoie a tortura, não apoie a violência.

Se a morte, seja de quem for, seja como for, seja por que motivo for, te incomoda, não apoie o racismo, não espalhe racismo, não apoie a violência nem espalhe seu ódio gratuito pelas redes sociais.

Ao difundir seu ódio você está comprovadamente dizendo a todos o quanto não precisa de ninguém.

Se você não precisa de ninguém, por que tanto se preocupa com a morte alheia?

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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Silenciar

Às vezes se está vazio, tão completamente vazio que o próprio respirar nos pesa, nos estressa e até incomoda.

Às vezes se está tão imensamente vazio que só então percebe-se o quão carregados de coisas estamos. Quando não nos damos conta que são todas essas coisas que nos esvaziam. Na maioria das vezes só precisamos parar e silenciar.

Diz-me um amigo mui próximo que o silêncio também é utopia. Nesse caso, como nos recordava o saudoso Galeano, utopia é o que nos leva a caminhar rumo ao horizonte, esse futuro que “nunca se alcança”, mas nos hipnotiza, nos enseja a sempre seguir a frente.
Silenciar, muitas vezes é a única coisa de que realmente necessitamos. Estamos tão egocentrados em nossos mundinhos cotidianos que simplesmente esquecemos essa virtude de nada querer. Aliás, demasiadamente e a cada dia que passa avolumamos infinitamente essa necessidade de desejar a tudo e a todos de um jeito que já não tomamos freio em nossas vidas. De nada adianta fingirmos essa preocupação com o meio e o próximo.

Ou buscamos o silêncio, esse instante vívido e intrínseco ao bem viver, ou estaremos sempre no percalço de algo para nos consumir e às nossas angústias, essas, frutos justamente de um nunca parar.

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segunda-feira, 16 de abril de 2018

O olho que tudo vê nada enxerga




O olho passeia, linha por linha da rede tecida diariamente. O olho anseia mais que a mente. A mente persegue apenas aquilo que o olho capta. Mas o olho, que tanto se orgulha de captar, foi e sempre é captado. O olho que caça é caçado. A mente apenas tenta entender.

O olho passeia livremente, pensa. A rede é tecida diariamente por tantos leitores quanto escritores e todas suas esquizofrenias, todas suas fobias. O olho cansa tanto antes que a mente. O olho ainda caça à exaustão. E anseia.

O olho caça e a mente divaga moribunda sem nada mais conseguir pensar. A mente pesa e o olho explode.

O olho já não é mais livre, o olho persegue a perseguição que lhe percorre no encalço. O olho treme. A liberdade de caçar do olho é suprimida pela falsa liberdade de apenas estar atrás de alguma coisa qualquer. O olho já não sente

O olho não se escapa mais, a mente se esvai, o braço dói e a alma sucumbe. A razão fora apagada. Os dedos vociferam as verdades que a boca grita nas letras e nas linhas. O olho dorme acordado e se vê orgulhoso de qualquer coisa que ainda não entende. O olho já não entende mais nada.

O olho passeia as linhas tecidas em conjunto da rede. A rede se molda com outra rede e com outra rede se molda à outra rede. A rede tecida aumenta ainda mais e o olho já não enxerga mais diferença. O olho se vê rei de tudo e todos!

O olho se apaga a dormir quebrantado e encantado com todas as verdades acumuladas. A mente está despida de si mesma e o olho se pensa o ser pensante que jamais fora. O olho é rei agora e todos são seus súditos. A mente, antes livre, agora é encarcerada para além da rede. A rede é suprema verdade e o olho se torna seu arauto de fé.

O olho é tudo e tudo anseia, só não se sabe mais dono de si. O olho está convencido, é o fim.

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quarta-feira, 7 de março de 2018

Sobre a música




Como o mar salgado e as ondas nele perfeitas
O som vem e vai em ondas sonoras também perfeitas
A harmonia adjacente à composição toca fundo na alma
Olhos veem o ritmo que os ouvidos captam
Viagem para dentro de si e para dentro de todo o universo
A cadência das notas e o envolvimento surreal
Para além do existir corpóreo
Levito de dentro de minha casca, embebedo-me!
Nada mais, nenhum som aquém, aquiesço
Deixo tudo mais fluir
A melodia me toma em seus braços, devaneio
Devaneio e me dissipo,
Arte, enfim
No fim, só a música para trilhar o caminho da liberdade
De nada mais precisar sentir e, ao mesmo tempo
Sentir o Eterno Existir

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Eu gosto de rosas



Gosto de Rosas, não me incomodam
Seus espinhos
Não me importa sua cor
Vermelho paixão
Vermelho ódio
Vermelho amor
Ou branco de pura paz
E tanto faz
Pois também gosto da paz
Emanada pelo preto mais sólido
Da escuridão silenciosa
Da noite
Gosto das Rosas
Da Rosa e sua cor rosa
Pouco me importa se nos olhos
Das pessoas preconceituosas
A cor tenha sexo ou gênero
Gosto das rosas
E respeito seus espinhos
Por isso não as colho
Apenas as enamoro
As observo com carinho. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...