quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Desliza



Desliza!
Por esse véu de carne que recobre
Transpassam meus olhos para além dos sonhos
Quero te consumir!
Quero te consumir em cada mordida, em cada beijo em cada carícia!
Não é pelo sexo, tampouco pelo amor
Pura e magicamente o desejo me possuiu e quero me libidinar no teu ser
Vou lambuzar-me de paixão efêmera em cada passear de cada curva
Em teus seios estremecerei meu folego e abrir-te-ei em espasmos de puro tesão

Desliza
Desliza também nesse ser que sonha em ser contigo
Um suado único corpo de explosões infames e palavreado ardido!
Empanturra-me com tuas pernas amalgamando-se comigo
Num gozo perfeito de delírio profano
E me permita escrever em tua pele com os dentes que te devoram
Cada pedacinho desse pecado que tu ofereces por viver
Esparrama-me em tua cama, teu sofá, teu chão
Quebremos as paredes e os pés de todas as camas
Rolemos pelo asfalto gelado da meia-noite ou amassemos o capô do carro
Só não permita que esse fulgor acabe antes do sol nascer
Aos seus primeiros raios estaremos nus correndo livres
Por entre as ondas quebradiças do mar
E salgados pela vida
Temperados por mais fantasia
Despedir-nos-emos com uma carta na areia
E alguma foto de nossa leve transgressão
Aos normais, um pecado mortal
Para nós uma poesia de sexo, suor e vida.

Desliza,
Desliza teus olhos nessa carta que sonho em teu corpo
Descendo por teu pescoço e trilhando por teu quadril
Eu desejo
Jamais acabar com a tinta desse devaneio
Assim te marco em vida

Assim me marcas em vida  

09 de agosto de 2016
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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Precisamos de melhores eleitores...



Conversava eu num dia desses com um amigo sobre a qualificação de nossos candidatos a representação política. Dizia-lhe que era preciso qualificarmos nossos candidatos, quem sabe até mesmo um concurso para saber quem será considerado “apto” ao pleito, algo complicado, polêmico. Então ele oferece uma ideia, a de qualificar os eleitores! Bingo! Eis a consideração.

As perguntas continuavam em nossa conversa e para cada resposta outra dúvida. Meu amigo, uma pessoa capaz, que sabe utilizar a sua inteligência, censurado pelo próprio partido por fazer campanha e postagens anticorrupção! Como pode um partido se querer sério e pleitear o poder em uma administração municipal se censura os seus pares por serem mais livres que as marionetes a que estão acostumados? Eu não preciso dizer o nome do partido, isso pouco importa na verdade. Em cada um deles há uma demagogia insana, uma hipocrisia enraizada no habitus de seus componentes, sejam eles cargos efetivos ou de confiança dentro ou fora da administração municipal ou estadual. As nossas piscinas estão mesmo cheias de ratos...

Política e educação

Neutralidade é uma palavra cara a todas às ciências, um subterfúgio criado, pode-se dizer, para eximir o cientista das consequências de suas pesquisas, embora eu não compactue totalmente com essa forma de pensar. Na ciência pedagógica, por outro lado, a neutralidade é um fantasma que muitos acreditam existir, embora saibamos que não exista. A questão é posta acima, como formar melhores eleitores? Oras, na escola?! Seria a escola o único lugar do aprendizado? Obviamente não.

Educação, já diz o ditado, vem de casa, porém a casa também recebe educação. Quem educa a casa, o lar? Quem educa pais e mães exauridos por uma jornada de trabalho, às vezes dupla ou tripla, que chegam em suas casas prontos para tomar um banho e descansar para se preparar novamente para outro dia extenuante de trabalho? E antes que alguém comece a dizer que “na minha época a gente dava conta”, é preciso recordar que sua época já acabou, assim como a minha também. Não estou desdenhando o passado, muito pelo contrário. O que não podemos é voltar a pensar que se deve viver para trabalhar, pois o trabalho pode ser uma coisa boa, mas também é origem de muitos males de nossa saúde.

Nossas casas sofrem influência direta dos meios de comunicação de massa, da programação televisiva, radiofônica e atualmente das redes sociais, da internet tão presente em nossas rodas de bate-papo e dispositivos celulares. Estamos conectados umbilicalmente com a informação via mundo digital e a oferta é tamanha que mal conseguimos produzir um conhecimento novo com tanta informação que nos é jogada diariamente.

Com tanta informação sendo oferecida aos quatro ventos a cada instante, cabe à educação escolar um papel importante, tão importante que, num país que se quer de primeiro mundo – e eu sempre tive minhas dúvidas sobre isso – a educação escolar é sempre a que mais sofre. A escola é um elo corroído pelo tempo, pelo desgaste político de décadas e por um descaso institucionalizado em cada novo governo. 

Reza-se uma cantilena que temos escolas do século XIX com professores do século XX trabalhando com alunos do século XXI. Há, contudo, muita discordância com essa verborragia. As mentes do século XXI estão empanturradas de informações rápidas que jamais conseguirão digerir por completo e não há aula ou professor que estimule quem não quer ser estimulado, isso é fato (coisa que não gosto de dizer...). Investir em educação é um gasto quando se pensa apenas em investir na escola sendo que, como já vimos, educação não é apenas na escola que acontece (aqui outro ponto para um debate maior).

Melhores eleitores surgem de melhores cidadãos, estes surgem nas escolas, mas não apenas nelas. Contudo, da forma como pensam em tratar as escolas e professores, retornaremos à cantilena citada acima sem muito esforço. É preciso ensinar as pessoas a pensarem por conta própria, a serem livres como sujeitos na busca por um mundo melhor onde se possa vislumbrar a paz individual e coletiva, algo bem distante desses acessos de raiva e ódio baseados no medo que se postula pelas redes sociais.

Educação, política e meio ambiente

Já dizia o filósofo Rousseau, que a criança deve ser educada para ser um cidadão. Ele também alertava que antes desse cidadão a natureza nos chama a Ser, a ser mais do que um cidadão acorrentado aos ditames da política nefasta e hipócrita que permeia nosso cotidiano.

Ontem pela tarde pude, com muita tristeza, vislumbrar uma cena lastimável sobre nosso rio Mãe Luzia. Da passarela via-se logo abaixo em suas águas sacos de lixo espalhados nas pedras, misturando-se ao limo que teima em sobreviver naquela água ácida. Por mais de cem metros em seu leito via-se lixo espalhado e não consigo sequer imaginar como foram parar lá. Juntamente a esse lixo pairava uma camada de gosma, talvez gordura de origem animal que se espalhava desde uns 300 metros antes da ponte até pouco além da passarela.

O descuido com nosso meio ambiente está diretamente relacionado com nossas práticas educativas, escolares e familiares, e também com nossas práticas políticas. Quantas e quantas vezes vimos alguma administração municipal preocupada com o meio ambiente? Talvez na década de 1990, como atestam alguns jornais da época (uma pesquisa rápida no Museu Anton Eyng e você encontra). Aliás, por se falar em museu, em cultura, este é outro pilar de nossa sociedade que está ruindo, abandonado...

Qual é a preocupação de nossos postulantes aos cargos políticos quanto ao meio ambiente? Ficaremos ainda nas eternas boas intenções sem resultados práticos imediatos? Ainda permitir-se-á que se construam edifícios às margens sufocadas de nossos rios? Ainda será permitido o esgoto ser jogado diretamente em nosso rio Mãe Luzia? Ainda teremos o nosso verde sendo surrupiado sem planejamento sustentável no ambiente urbano que se urbaniza cada dia mais? Até quando Forquilhinha vai aguentar crescer sem se desenvolver?

Finalizando...

E você, candidato e candidata a vereança, sabe realmente qual será sua função se eleito ou eleita? Você, candidato e candidata a vereador ou vereadora, seria ainda candidato ou candidata se seu salário fosse disciplinado pelo piso salarial dos professores? Seria ainda candidato ou candidata se recebesse apenas um salário mínimo? Você, candidato a vereador, candidata a vereadora, conhece a ideologia de seu partido político? Você sabe o significado ideológico e prático de sua sigla? Você sabe, caro candidato, cara candidata, que para legislar é necessário muita leitura? Você lê com que frequência? Sabe que ser vereador  ou vereadora não é arranjar exames de saúde ou caminhões de terra? Sabe que legislar significa olhar para o todo, para o coletivo, para além de suas convicções pessoais?

Se você que é candidato ou candidata não sabe de coisas básicas assim, deveria saber, deve saber. Se eleito ou eleita, procure se informar mais sobre essas coisas. Respeite a confiança dos votos recebidos e trabalhe com seus eleitores para que eles sejam melhores também e aprendam a não se vender. Há uma frase do Barão de Itararé que diz mais ou menos assim: “Quem se vende recebe mais do que vale”. É para pensar mesmo.



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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Cidade e Meio Ambiente




Às vezes me deparo com um comercial na tevê em que uma árvore caminha pelas calçadas da cidade em busca de abrigo. O comercial versa sobre a proteção das árvores, que elas estão mais protegidas na cidade do que na floresta, seu habitat ‘natural’. Assim mesmo, entre aspas, pois o mundo foi em grande parte floresta.

Estamos em época de ‘caça aos votos’ e tanto hoje quanto em outras eleições vemos pouca ou quase nenhuma preocupação com questões ambientais. Isso se deve em parte também à percepção que temos do que seja o meio ambiente. E a culpa recairá outra vez na educação, mas desta vez não me dirijo à educação escolar de maneira exclusiva. Até porque educação não é sinônimo único de escola.

O meio ambiente não é apenas um lugar bonito com cachoeiras, flores e árvores onde pássaros cantam. O meio ambiente inicia-se, antes de tudo, dentro de nós, nas nossas ideias, pensamentos, concepções e em nossas atitudes conosco mesmos e com os outros. A mídia televisiva recentemente tem veiculado uma matéria sobre cidades inteligentes, todavia caberia discutir-se também cidadãos ‘inteligentes’, ou seja, discutirmos nosso papel como seres integrados nessa realidade que nos completa.


Eu ando por Forquilhinha, Criciúma, Meleiro, enfim, e o que vejo muito me preocupa, principalmente aqui em minha terra. Loteamentos surgindo aos montes e onde antes víamos algum resquício de verde agora vemos apenas estradas planejadas para novos moradores. Nesse ano tenho visto animais silvestres aqui nas proximidades que há tempos não se viam. Seu habitat está sumindo. O pouco que resta de verde estamos desmatando para dar lugar a residências onde o verde sequer é cotado. Uma rua normal, uma calçada apertada, um muro e casa. Bem caberia entre a rua a calçada um, duas e mais árvores. O problema é que os lotes diminuiriam e aí não haveria lucro. O deus lucro, assim como o deus progresso não podem ser tocados...


A questão é: nossos futuros legisladores que postulam seus cargos diretivos no pleito de 2016 estão preocupados e preparados para a problemática ambiental que se desenvolve ao nosso redor? Como ficará o mal cheiro em Forquilhinha? E o rio Mãe Luzia? E o esquecido rio Sangão? E as minas de carvão? Alguns enriqueceram e foram embora e agora, quem pagará o pato?  
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Tanto faz e tanto fez...



Há momentos puros em que você sente um misto de tanto faz e tanto fez
Em momentos assim pouco importa o que realmente se quer e onde se pode chegar
Ninguém, ninguém mesmo interessa ou é interessante
É só a pureza de um momento qualquer
Como qualquer pessoa é a qualquer momento
Quando tudo o que você fez ou quer
Nada se parece realmente com o que você precisa ou não

É só mais um misto de tanto faz quanto tanto fez...
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Decifra-me e devora-me também!




No cd player o Zeppelin chamusca meus pensamentos. Devaneio, como sempre o faço. O dia ardeu lindo naquele amarelo-ouro que só um sábado sabe ter. Há muito que se viver quando o frio começa a dar sinais de cansaço. A primavera se anuncia por entre os arrepios de gelo.

Vai-te inverno! Já entendemos teu recado! Que venha a vida rósea do amanhecer despontando em setembro! Que outubro me faça reviver o fim do cansaço anunciado pelo calor benfazejo do verão!

Ah, não, pobre poeta! Maldita seja toda esta matilha de torpes almas que ensanguam nosso país com sua verborragia aristocrática e elitista! Distila teu ódio no copo que te alimenta e despeja tua raiva no mijo e na merda junto com os vermes! São esses contumazes parceiros favoritos dessa escória infame que desmorona sonhos de dias melhores.  Teu povo, poeta, sabe o que é sofrer de verdade e na realidade não existem princesas loiras beijando sapos.

Fujam playboys da moralidade para o alto de suas torres de maledicência! Tomem em suas mãos vossas taças de crueldade e entupam-se com o fruto de nosso suor diário! Que seus infernos regados a ouro e prata corroam seus olhos de mel aveludado!

Devaneio, outra vez...

De cima da ponte caminho por seu corrimão de pedra mirando as pedras roladas no rio abaixo. O burburinho da água atiça meu sorriso e juntos sorrimos, porém é o fel que corre em minhas veias e soçobra algum átimo de melancolia amalgamada à raiva que me alimenta no momento.

Se o fogo eu tivesse e seu poder manipulasse a tudo destruiria e caçoaria dos deuses por suas apostas findarem antes do dia. Boquiabertos me amaldiçoando e retalhando meu íntimo.

Eu sofreria e sorriria pela última vez. Nenhuma lágrima para amenizar a dor eterna. Apenas um dedo eriçado da mão e um impropério verbal conveniente ao momento.


E fim, assim. 
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