segunda-feira, 16 de abril de 2018

O olho que tudo vê nada enxerga




O olho passeia, linha por linha da rede tecida diariamente. O olho anseia mais que a mente. A mente persegue apenas aquilo que o olho capta. Mas o olho, que tanto se orgulha de captar, foi e sempre é captado. O olho que caça é caçado. A mente apenas tenta entender.

O olho passeia livremente, pensa. A rede é tecida diariamente por tantos leitores quanto escritores e todas suas esquizofrenias, todas suas fobias. O olho cansa tanto antes que a mente. O olho ainda caça à exaustão. E anseia.

O olho caça e a mente divaga moribunda sem nada mais conseguir pensar. A mente pesa e o olho explode.

O olho já não é mais livre, o olho persegue a perseguição que lhe percorre no encalço. O olho treme. A liberdade de caçar do olho é suprimida pela falsa liberdade de apenas estar atrás de alguma coisa qualquer. O olho já não sente

O olho não se escapa mais, a mente se esvai, o braço dói e a alma sucumbe. A razão fora apagada. Os dedos vociferam as verdades que a boca grita nas letras e nas linhas. O olho dorme acordado e se vê orgulhoso de qualquer coisa que ainda não entende. O olho já não entende mais nada.

O olho passeia as linhas tecidas em conjunto da rede. A rede se molda com outra rede e com outra rede se molda à outra rede. A rede tecida aumenta ainda mais e o olho já não enxerga mais diferença. O olho se vê rei de tudo e todos!

O olho se apaga a dormir quebrantado e encantado com todas as verdades acumuladas. A mente está despida de si mesma e o olho se pensa o ser pensante que jamais fora. O olho é rei agora e todos são seus súditos. A mente, antes livre, agora é encarcerada para além da rede. A rede é suprema verdade e o olho se torna seu arauto de fé.

O olho é tudo e tudo anseia, só não se sabe mais dono de si. O olho está convencido, é o fim.

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quarta-feira, 7 de março de 2018

Sobre a música




Como o mar salgado e as ondas nele perfeitas
O som vem e vai em ondas sonoras também perfeitas
A harmonia adjacente à composição toca fundo na alma
Olhos veem o ritmo que os ouvidos captam
Viagem para dentro de si e para dentro de todo o universo
A cadência das notas e o envolvimento surreal
Para além do existir corpóreo
Levito de dentro de minha casca, embebedo-me!
Nada mais, nenhum som aquém, aquiesço
Deixo tudo mais fluir
A melodia me toma em seus braços, devaneio
Devaneio e me dissipo,
Arte, enfim
No fim, só a música para trilhar o caminho da liberdade
De nada mais precisar sentir e, ao mesmo tempo
Sentir o Eterno Existir

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Eu gosto de rosas



Gosto de Rosas, não me incomodam
Seus espinhos
Não me importa sua cor
Vermelho paixão
Vermelho ódio
Vermelho amor
Ou branco de pura paz
E tanto faz
Pois também gosto da paz
Emanada pelo preto mais sólido
Da escuridão silenciosa
Da noite
Gosto das Rosas
Da Rosa e sua cor rosa
Pouco me importa se nos olhos
Das pessoas preconceituosas
A cor tenha sexo ou gênero
Gosto das rosas
E respeito seus espinhos
Por isso não as colho
Apenas as enamoro
As observo com carinho. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 21 de outubro de 2017

Visita ao Cânion Itaimbezinho, Cambará do Sul, com a EEB. João Frassetto

E não é que depois de quatro anos eu consegui levar meus alunos dos segundos e terceiros anos do Ensino médio da EEB. João Frassetto, de Santa Luzia, Criciúma, SC para visitarmos o cânion Itaimbezinho? E de quebra ainda curtimos um pouco do visual do cânion Índios Coroados.

Foi no domingo, dai 15 de outubro, o dia do professor e o meu maior presente foi poder presentear meus alunos e alunas com um belo dia de sol, depois de tanto adiarmos.

Os alunos ficaram maravilhados, o que não é novidade. E isso reforça mais uma vez o que sempre digo: só a sala de aula de aula é muito pouco para essa gurizada que vive envolta pela tecnologia mas é tão carente de um contato maior e contemplativo com a natureza.

Seguem abaixo algumas fotos do passeio:

Paulinho sempre atencioso explicando aos alunos como funciona o passeio.


Léo, outro parceiro nas trilhas.





Rebeca(3002) e Bruno(2002).

Meninas da 3004: Marci, Mari e Schai.

Foto tradicional




Turma 2004 
Nos detalhes, a beleza...





Foto tradicional

Tradicional foto

3004, alunos de minha regência

Cachoeira Véu da Noiva

Cachoeira das Andorinhas

Visão do cânion Índios Coroados


Um casal de namorados que curtia o cânion Índios Coroados

Larissa e Filipe da turma 2004
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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Fragmentos



Parte-se
Parte-se tão repentinamente
Como algo oco
Que em sua condição
De oco
Fragilmente
Se parte

Parte-se para longe
E de longe revira tudo
Pois longe se olha
De longe também se sente
Pois é da condição de distante
Sentir-se
O que longe ainda mora
Saudade é dor que nos namora

Irrompe um silêncio
Entre notas musicais
Irrompe o silêncio
Da contemplação do longínquo
Estar-se feito
Em partes
Em partes se respira
E pesa-se
O pesar de estar-se
Pesado

Um engasgo que fisga a lágrima
De quem parte
E parte com um pedaço
De quem fica
Que fica engasgando-se
Em metáforas
Que pouco explicam, de verdade
Ambos se partem
Os que vão e os que ficam
E ainda algo que quebra
Em quem vivifica
A perda de estar-se
Sempre a pensar
Em quem jamais poderá estar

Tão longe no horizonte
Tudo é horizonte
De eventos e onde sopram
Os ventos
Da saudade
Da memória
Da felicidade e da tristeza
Ambas se entrelaçam
E se partem
No partir-se
De ir indo e vir voltando
Como quem vai sem nunca
Ir realmente
E quem fica sem nunca
Estar com profundidade
No profundo raso
De ser e não estar
De ir sem nunca ter ficado

Um soluço
Um arrepio
Um calar-se
E um tênue
Ansiar
Sem nunca saber, apenas imaginar
Como parte-se
Sem querer ir ou ficar
Inteiro
Ou em partes

Wagner Fonseca, 19 de setembro de de 2017, 20:50


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