sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Precisamos de melhores eleitores...



Conversava eu num dia desses com um amigo sobre a qualificação de nossos candidatos a representação política. Dizia-lhe que era preciso qualificarmos nossos candidatos, quem sabe até mesmo um concurso para saber quem será considerado “apto” ao pleito, algo complicado, polêmico. Então ele oferece uma ideia, a de qualificar os eleitores! Bingo! Eis a consideração.

As perguntas continuavam em nossa conversa e para cada resposta outra dúvida. Meu amigo, uma pessoa capaz, que sabe utilizar a sua inteligência, censurado pelo próprio partido por fazer campanha e postagens anticorrupção! Como pode um partido se querer sério e pleitear o poder em uma administração municipal se censura os seus pares por serem mais livres que as marionetes a que estão acostumados? Eu não preciso dizer o nome do partido, isso pouco importa na verdade. Em cada um deles há uma demagogia insana, uma hipocrisia enraizada no habitus de seus componentes, sejam eles cargos efetivos ou de confiança dentro ou fora da administração municipal ou estadual. As nossas piscinas estão mesmo cheias de ratos...

Política e educação

Neutralidade é uma palavra cara a todas às ciências, um subterfúgio criado, pode-se dizer, para eximir o cientista das consequências de suas pesquisas, embora eu não compactue totalmente com essa forma de pensar. Na ciência pedagógica, por outro lado, a neutralidade é um fantasma que muitos acreditam existir, embora saibamos que não exista. A questão é posta acima, como formar melhores eleitores? Oras, na escola?! Seria a escola o único lugar do aprendizado? Obviamente não.

Educação, já diz o ditado, vem de casa, porém a casa também recebe educação. Quem educa a casa, o lar? Quem educa pais e mães exauridos por uma jornada de trabalho, às vezes dupla ou tripla, que chegam em suas casas prontos para tomar um banho e descansar para se preparar novamente para outro dia extenuante de trabalho? E antes que alguém comece a dizer que “na minha época a gente dava conta”, é preciso recordar que sua época já acabou, assim como a minha também. Não estou desdenhando o passado, muito pelo contrário. O que não podemos é voltar a pensar que se deve viver para trabalhar, pois o trabalho pode ser uma coisa boa, mas também é origem de muitos males de nossa saúde.

Nossas casas sofrem influência direta dos meios de comunicação de massa, da programação televisiva, radiofônica e atualmente das redes sociais, da internet tão presente em nossas rodas de bate-papo e dispositivos celulares. Estamos conectados umbilicalmente com a informação via mundo digital e a oferta é tamanha que mal conseguimos produzir um conhecimento novo com tanta informação que nos é jogada diariamente.

Com tanta informação sendo oferecida aos quatro ventos a cada instante, cabe à educação escolar um papel importante, tão importante que, num país que se quer de primeiro mundo – e eu sempre tive minhas dúvidas sobre isso – a educação escolar é sempre a que mais sofre. A escola é um elo corroído pelo tempo, pelo desgaste político de décadas e por um descaso institucionalizado em cada novo governo. 

Reza-se uma cantilena que temos escolas do século XIX com professores do século XX trabalhando com alunos do século XXI. Há, contudo, muita discordância com essa verborragia. As mentes do século XXI estão empanturradas de informações rápidas que jamais conseguirão digerir por completo e não há aula ou professor que estimule quem não quer ser estimulado, isso é fato (coisa que não gosto de dizer...). Investir em educação é um gasto quando se pensa apenas em investir na escola sendo que, como já vimos, educação não é apenas na escola que acontece (aqui outro ponto para um debate maior).

Melhores eleitores surgem de melhores cidadãos, estes surgem nas escolas, mas não apenas nelas. Contudo, da forma como pensam em tratar as escolas e professores, retornaremos à cantilena citada acima sem muito esforço. É preciso ensinar as pessoas a pensarem por conta própria, a serem livres como sujeitos na busca por um mundo melhor onde se possa vislumbrar a paz individual e coletiva, algo bem distante desses acessos de raiva e ódio baseados no medo que se postula pelas redes sociais.

Educação, política e meio ambiente

Já dizia o filósofo Rousseau, que a criança deve ser educada para ser um cidadão. Ele também alertava que antes desse cidadão a natureza nos chama a Ser, a ser mais do que um cidadão acorrentado aos ditames da política nefasta e hipócrita que permeia nosso cotidiano.

Ontem pela tarde pude, com muita tristeza, vislumbrar uma cena lastimável sobre nosso rio Mãe Luzia. Da passarela via-se logo abaixo em suas águas sacos de lixo espalhados nas pedras, misturando-se ao limo que teima em sobreviver naquela água ácida. Por mais de cem metros em seu leito via-se lixo espalhado e não consigo sequer imaginar como foram parar lá. Juntamente a esse lixo pairava uma camada de gosma, talvez gordura de origem animal que se espalhava desde uns 300 metros antes da ponte até pouco além da passarela.

O descuido com nosso meio ambiente está diretamente relacionado com nossas práticas educativas, escolares e familiares, e também com nossas práticas políticas. Quantas e quantas vezes vimos alguma administração municipal preocupada com o meio ambiente? Talvez na década de 1990, como atestam alguns jornais da época (uma pesquisa rápida no Museu Anton Eyng e você encontra). Aliás, por se falar em museu, em cultura, este é outro pilar de nossa sociedade que está ruindo, abandonado...

Qual é a preocupação de nossos postulantes aos cargos políticos quanto ao meio ambiente? Ficaremos ainda nas eternas boas intenções sem resultados práticos imediatos? Ainda permitir-se-á que se construam edifícios às margens sufocadas de nossos rios? Ainda será permitido o esgoto ser jogado diretamente em nosso rio Mãe Luzia? Ainda teremos o nosso verde sendo surrupiado sem planejamento sustentável no ambiente urbano que se urbaniza cada dia mais? Até quando Forquilhinha vai aguentar crescer sem se desenvolver?

Finalizando...

E você, candidato e candidata a vereança, sabe realmente qual será sua função se eleito ou eleita? Você, candidato e candidata a vereador ou vereadora, seria ainda candidato ou candidata se seu salário fosse disciplinado pelo piso salarial dos professores? Seria ainda candidato ou candidata se recebesse apenas um salário mínimo? Você, candidato a vereador, candidata a vereadora, conhece a ideologia de seu partido político? Você sabe o significado ideológico e prático de sua sigla? Você sabe, caro candidato, cara candidata, que para legislar é necessário muita leitura? Você lê com que frequência? Sabe que ser vereador  ou vereadora não é arranjar exames de saúde ou caminhões de terra? Sabe que legislar significa olhar para o todo, para o coletivo, para além de suas convicções pessoais?

Se você que é candidato ou candidata não sabe de coisas básicas assim, deveria saber, deve saber. Se eleito ou eleita, procure se informar mais sobre essas coisas. Respeite a confiança dos votos recebidos e trabalhe com seus eleitores para que eles sejam melhores também e aprendam a não se vender. Há uma frase do Barão de Itararé que diz mais ou menos assim: “Quem se vende recebe mais do que vale”. É para pensar mesmo.



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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Cidade e Meio Ambiente




Às vezes me deparo com um comercial na tevê em que uma árvore caminha pelas calçadas da cidade em busca de abrigo. O comercial versa sobre a proteção das árvores, que elas estão mais protegidas na cidade do que na floresta, seu habitat ‘natural’. Assim mesmo, entre aspas, pois o mundo foi em grande parte floresta.

Estamos em época de ‘caça aos votos’ e tanto hoje quanto em outras eleições vemos pouca ou quase nenhuma preocupação com questões ambientais. Isso se deve em parte também à percepção que temos do que seja o meio ambiente. E a culpa recairá outra vez na educação, mas desta vez não me dirijo à educação escolar de maneira exclusiva. Até porque educação não é sinônimo único de escola.

O meio ambiente não é apenas um lugar bonito com cachoeiras, flores e árvores onde pássaros cantam. O meio ambiente inicia-se, antes de tudo, dentro de nós, nas nossas ideias, pensamentos, concepções e em nossas atitudes conosco mesmos e com os outros. A mídia televisiva recentemente tem veiculado uma matéria sobre cidades inteligentes, todavia caberia discutir-se também cidadãos ‘inteligentes’, ou seja, discutirmos nosso papel como seres integrados nessa realidade que nos completa.


Eu ando por Forquilhinha, Criciúma, Meleiro, enfim, e o que vejo muito me preocupa, principalmente aqui em minha terra. Loteamentos surgindo aos montes e onde antes víamos algum resquício de verde agora vemos apenas estradas planejadas para novos moradores. Nesse ano tenho visto animais silvestres aqui nas proximidades que há tempos não se viam. Seu habitat está sumindo. O pouco que resta de verde estamos desmatando para dar lugar a residências onde o verde sequer é cotado. Uma rua normal, uma calçada apertada, um muro e casa. Bem caberia entre a rua a calçada um, duas e mais árvores. O problema é que os lotes diminuiriam e aí não haveria lucro. O deus lucro, assim como o deus progresso não podem ser tocados...


A questão é: nossos futuros legisladores que postulam seus cargos diretivos no pleito de 2016 estão preocupados e preparados para a problemática ambiental que se desenvolve ao nosso redor? Como ficará o mal cheiro em Forquilhinha? E o rio Mãe Luzia? E o esquecido rio Sangão? E as minas de carvão? Alguns enriqueceram e foram embora e agora, quem pagará o pato?  
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Tanto faz e tanto fez...



Há momentos puros em que você sente um misto de tanto faz e tanto fez
Em momentos assim pouco importa o que realmente se quer e onde se pode chegar
Ninguém, ninguém mesmo interessa ou é interessante
É só a pureza de um momento qualquer
Como qualquer pessoa é a qualquer momento
Quando tudo o que você fez ou quer
Nada se parece realmente com o que você precisa ou não

É só mais um misto de tanto faz quanto tanto fez...
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Decifra-me e devora-me também!




No cd player o Zeppelin chamusca meus pensamentos. Devaneio, como sempre o faço. O dia ardeu lindo naquele amarelo-ouro que só um sábado sabe ter. Há muito que se viver quando o frio começa a dar sinais de cansaço. A primavera se anuncia por entre os arrepios de gelo.

Vai-te inverno! Já entendemos teu recado! Que venha a vida rósea do amanhecer despontando em setembro! Que outubro me faça reviver o fim do cansaço anunciado pelo calor benfazejo do verão!

Ah, não, pobre poeta! Maldita seja toda esta matilha de torpes almas que ensanguam nosso país com sua verborragia aristocrática e elitista! Distila teu ódio no copo que te alimenta e despeja tua raiva no mijo e na merda junto com os vermes! São esses contumazes parceiros favoritos dessa escória infame que desmorona sonhos de dias melhores.  Teu povo, poeta, sabe o que é sofrer de verdade e na realidade não existem princesas loiras beijando sapos.

Fujam playboys da moralidade para o alto de suas torres de maledicência! Tomem em suas mãos vossas taças de crueldade e entupam-se com o fruto de nosso suor diário! Que seus infernos regados a ouro e prata corroam seus olhos de mel aveludado!

Devaneio, outra vez...

De cima da ponte caminho por seu corrimão de pedra mirando as pedras roladas no rio abaixo. O burburinho da água atiça meu sorriso e juntos sorrimos, porém é o fel que corre em minhas veias e soçobra algum átimo de melancolia amalgamada à raiva que me alimenta no momento.

Se o fogo eu tivesse e seu poder manipulasse a tudo destruiria e caçoaria dos deuses por suas apostas findarem antes do dia. Boquiabertos me amaldiçoando e retalhando meu íntimo.

Eu sofreria e sorriria pela última vez. Nenhuma lágrima para amenizar a dor eterna. Apenas um dedo eriçado da mão e um impropério verbal conveniente ao momento.


E fim, assim. 
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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Educação e neutralidade: isso existe?

                                                                               

Eu bem que gostaria de me aprofundar teoricamente no assunto, mas creio não ser necessário. Afinal uma questão se impõe: é possível ensinar sem tomar partido em alguma situação ou corrente? A resposta é tão óbvia quanto a própria questão deixa transparecer. Não.

Pais ensinam seus filhos a agir no mundo desde pequenos conforme foram educados pelos seus pais. A educação garante mais que a transmissão de conteúdo, de conhecimento. No caso da educação familiar há sim certa transmissão de conhecimento, embora estudiosos repudiem o uso do verbo transmitir. Poder-se-á dizer que transmitimos informações, ou que as repassamos. Enfim, prefiro não utilizar tal palavra. E as palavras sempre tomam mais valor do que realmente acreditamos ter, ou pelo menos tendem a assumir significados mais diversos.



Dizia um poeta que “toda conversa é uma batalha de ideias” e as palavras são exatamente isso: ideias. Sem querer utilizamos das palavras e nem percebemos ao certo o teor que elas têm no decorrer de nossas conversas, nas nossas relações sociais e assim por diante. Um exemplo simples seriam as gírias e um exemplo comum envolve a palavra animal. Chamar alguém de animal pode ser uma ofensa, da mesma forma que dizer que algo é ‘animal’ converte a situação em algo fantástico.

                                                           

Quando os pais educam seus filhos lhes ensinam valores intrínsecos ao seu bem viver e como proceder em sociedade. Moral e ética, religiosidade e espiritualidade, até mesmo gostos em comum. Porém a vida em sociedade vai além daquilo tudo que aprendemos em casa e a cada nova situação vamos assimilando novos conhecimentos e formas de compreender, perceber, analisar e resolver os problemas da vida. O mundo cresce exponencialmente à medida que vamos nos envolvendo pela tessitura social e se torna impossível permanecer neutro perante as situações da vida. Em muitos casos somos obrigados a ser “oito ou oitenta”, em outros casos podemos ser outra coisa qualquer. A vida sempre nos permitirá novas escolhas e com elas as consequências que necessariamente nos farão crescer mais como pessoas.

Adentrar na escola é um desses momentos únicos na vida de qualquer pessoa e lá o universo cresce mais ainda. Nossa educação familiar agora sofre o embate constante de outras educações que ora se assemelham ora se opõem aquilo tudo que aprendemos. Ser quem somos exige de nós mudanças e resistências a estas, embora a cada instante precisamos estar atentos e prontos a adaptar-se, seja para ouvir o diferente e com ele aprender, seja para referendar aquilo que acreditamos estar certo. Em meio a esta batalha surge a figura do professor e todos os problemas a que já nos acostumamos a ouvir, desde o salário até as ameaças, sejam de pais ou alunos. O professor está em frangalhos, em maus lençóis, em apuros e por aí vai. A verdade é que a profissão nada é atraente e a mídia ainda corrobora para esfacelar de maneira bruta essa categoria. A escola tornou-se depósito e seus profissionais meros cuidadores. Feliz fica o professor ou a professora quando consegue encerrar o seu dia de trabalho expondo e discutindo as ideias, seu conteúdo, ensinando e aprendendo. Ser professor é estar pronto a aprender sempre, caso contrário a profissão transforma-se em mais um “empreguinho”, como afirmou recentemente um colunista na mídia.

Bem, aí vem a ideia de neutralidade, uma ideia há muito defendida nas ciências, inclusive nas humanas. Aliás, há quem critique as chamadas ciências humanas afirmando que sequer deveriam ser chamadas de ciências, visto que tomam o próprio ser humano como objeto de estudo e assim não teriam os cientistas sociais como se distanciar do objeto que estudam. Um físico estudando a natureza também não se distancia dela, não é mesmo? Ou o matemático estuda números de outra dimensão que não dizem respeito ao nosso universo imediato? O ranço maior é contra as ciências humanas, com toda certeza, e é lá onde se exige mais ainda uma suposta neutralidade que não há como existir. Nesse ponto emerge o debate de uma suposta doutrinação por parte dos professores sobre os alunos. Esta é uma afirmação muito grave.

A doutrina pode ser entendida como um conjunto de ideias que sustentam um sistema filosófico, político, religioso ou econômico, por exemplo. Nesse caso pode-se falar tanto em doutrina cristã quanto capitalista, liberal, comunista, etc. Surge então a ideia de que a escola pública brasileira esteja doutrinando seus alunos com ideais de esquerda, socialista, comunistas e marxistas, uma afirmação exagerada, para dizer o mínimo. E porque digo isso? Bem, se analisarmos a formação básica de nossos alunos egressos do ensino médio e iniciantes em qualquer curso universitário facilmente perceberemos que uma grande maioria sequer compreende os conceitos básicos da suposta doutrinação. Aliás, há tantos problemas em sala de aula que qualquer professor ou professora ficaria muito feliz se no meio centenas de alunos anuais uma ínfima parte conseguisse descrever satisfatoriamente os conceitos chaves de cada disciplina. Se levarmos em conta os aspectos psicológicos e a pressão exercida sobre os professores, ficaríamos aliviados se esses mesmos também compreendessem perfeitamente seus conceitos–chaves. Infelizmente não conhecemos sequer a fundo nossos direitos, a não ser quando são surrupiados de nós...


Quando encontramos algum aluno ou aluna mais interessados – aqueles que costumamos dizer: “Esse vai dar algo na vida!”, ou, “Nossa, que menina inteligente! Com certeza vai se dar muito bem, é muito inteligente!”, dificilmente estimulamos a ser professor ou professora. Eu mesmo passei por isso na escola e quando ingressei na licenciatura tive que ouvir de meus amigos e colegas: “Nossa Wagner, estais cursando história?! Não tinha um curso melhor?” As pessoas agem assim porque sabem que no fim seremos apenas um professor, um “empreguinho” qualquer, hoje quase um bico. Se não bastasse tudo isso, ainda somos taxados de doutrinadores. E, não, não é porque eu sou professor de sociologia e história minha revolta é maior. Aliás, essa revolta não é apenas minha.

A liberdade é o que está sendo posto em xeque. Não há como um professor ensinar sem se posicionar e existe um abismo enorme entre ensinar e obrigar os alunos a aceitarem uma determinada ideia. Em minhas aulas tenho alunos de diversas tendências religiosas, por exemplo. Quando eu era estudante os livros de ciências, geografia e história traziam o criacionismo e o evolucionismo, isso nos idos de 1992. Ainda hoje os livros tratam disso sem problema algum, afinal, é preciso respeitar as diversas teorias e isso aprendemos ainda na faculdade. Aos alunos digo que a escola trabalha como conhecimento científico, que a princípio é válido para todos, diferente de uma concepção religiosa, pois esta tem validade apenas aos grupos sociais que compartilham a mesma fé. É algo difícil para os alunos entenderem de início, mas assim que compreendem que suas verdades podem ser diferentes das verdades dos outros, fica mais fácil compreenderem do porquê a escola trabalhar com o conhecimento científico: este pretende uma validade universal e, embora as teorias possam ser rebatidas, o conhecimento científico vale para todos os grupos sociais. Se por acaso os alunos me questionam se concordo com a teoria evolucionista eu não posso me eximir da minha resposta. E se esta teoria for considerada uma afronta aos valores religiosos de um ou outro aluno em sala de aula? Ela deve ser extirpada dos bancos escolares? Bem, se você ainda vive com a cabeça na Idade Média, com certeza a resposta será sim...

O projeto Escola Sem Partido pretende impor essa suposta neutralidade, que não existe nem em seu nome: ser sem partido significa ser neutro? Nem aqui nem na Coréia! Há doutrinação esquerdista nas escolas? Se houvesse realmente as câmaras estaduais, municipais, prefeitos e governadores e maioria dos deputados e senadores não seriam de partidos de direita, não é mesmo?



Conviver significa viver juntos, com as semelhanças e as diferenças. Significa aceitar o preto e o branco e todos os tons de cinza que existem entre eles. Doutrinação ideológica é tentar passar uma ideia de neutralidade, de quem vive em cima do muro optando qual lado escolher conforme a direção do vento. E ideologia não se expressa apenas em palavras. Ideologia se expressa na marca das roupas, nos livros e filmes, no corte de cabelo, nas músicas que se ouve. A ideologia do professor ou da professora assim como todas as pessoas está encravada no seu jeito de ser, não pode ser retirada, apenas modificada, e olha lá...

Vivendo em tempos onde o pensar se torna cada vez mais relevante para um mundo melhor e onde as escolas são cada vez mais sucateadas, a figura do professor deixou de ser uma peça importante no quebra-cabeça social. Minha preocupação maior não é que alunos e alunas virem revolucionários de esquerda. Minha preocupação maior é saber que posso dividir um futuro com profissionais que saibam ouvir seus clientes, não respeitem a dor alheia, que não respeitem o meio ambiente, que provoquem o ódio contra o próximo. A continuar como está não precisaremos mais de escolas nem de professores. Estes serão considerados aliciadores, serão extintos e voltaremos ao tempo em que a educação escolar se torne um luxo de poucos. Com o deus google vigiando nossas vidas diariamente, para que precisaremos de mais escolas, não é mesmo?!

O texto é longo como todo desabafo tem que ser...



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