quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Tanto faz e tanto fez...



Há momentos puros em que você sente um misto de tanto faz e tanto fez
Em momentos assim pouco importa o que realmente se quer e onde se pode chegar
Ninguém, ninguém mesmo interessa ou é interessante
É só a pureza de um momento qualquer
Como qualquer pessoa é a qualquer momento
Quando tudo o que você fez ou quer
Nada se parece realmente com o que você precisa ou não

É só mais um misto de tanto faz quanto tanto fez...
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Decifra-me e devora-me também!




No cd player o Zeppelin chamusca meus pensamentos. Devaneio, como sempre o faço. O dia ardeu lindo naquele amarelo-ouro que só um sábado sabe ter. Há muito que se viver quando o frio começa a dar sinais de cansaço. A primavera se anuncia por entre os arrepios de gelo.

Vai-te inverno! Já entendemos teu recado! Que venha a vida rósea do amanhecer despontando em setembro! Que outubro me faça reviver o fim do cansaço anunciado pelo calor benfazejo do verão!

Ah, não, pobre poeta! Maldita seja toda esta matilha de torpes almas que ensanguam nosso país com sua verborragia aristocrática e elitista! Distila teu ódio no copo que te alimenta e despeja tua raiva no mijo e na merda junto com os vermes! São esses contumazes parceiros favoritos dessa escória infame que desmorona sonhos de dias melhores.  Teu povo, poeta, sabe o que é sofrer de verdade e na realidade não existem princesas loiras beijando sapos.

Fujam playboys da moralidade para o alto de suas torres de maledicência! Tomem em suas mãos vossas taças de crueldade e entupam-se com o fruto de nosso suor diário! Que seus infernos regados a ouro e prata corroam seus olhos de mel aveludado!

Devaneio, outra vez...

De cima da ponte caminho por seu corrimão de pedra mirando as pedras roladas no rio abaixo. O burburinho da água atiça meu sorriso e juntos sorrimos, porém é o fel que corre em minhas veias e soçobra algum átimo de melancolia amalgamada à raiva que me alimenta no momento.

Se o fogo eu tivesse e seu poder manipulasse a tudo destruiria e caçoaria dos deuses por suas apostas findarem antes do dia. Boquiabertos me amaldiçoando e retalhando meu íntimo.

Eu sofreria e sorriria pela última vez. Nenhuma lágrima para amenizar a dor eterna. Apenas um dedo eriçado da mão e um impropério verbal conveniente ao momento.


E fim, assim. 
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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Educação e neutralidade: isso existe?

                                                                               

Eu bem que gostaria de me aprofundar teoricamente no assunto, mas creio não ser necessário. Afinal uma questão se impõe: é possível ensinar sem tomar partido em alguma situação ou corrente? A resposta é tão óbvia quanto a própria questão deixa transparecer. Não.

Pais ensinam seus filhos a agir no mundo desde pequenos conforme foram educados pelos seus pais. A educação garante mais que a transmissão de conteúdo, de conhecimento. No caso da educação familiar há sim certa transmissão de conhecimento, embora estudiosos repudiem o uso do verbo transmitir. Poder-se-á dizer que transmitimos informações, ou que as repassamos. Enfim, prefiro não utilizar tal palavra. E as palavras sempre tomam mais valor do que realmente acreditamos ter, ou pelo menos tendem a assumir significados mais diversos.



Dizia um poeta que “toda conversa é uma batalha de ideias” e as palavras são exatamente isso: ideias. Sem querer utilizamos das palavras e nem percebemos ao certo o teor que elas têm no decorrer de nossas conversas, nas nossas relações sociais e assim por diante. Um exemplo simples seriam as gírias e um exemplo comum envolve a palavra animal. Chamar alguém de animal pode ser uma ofensa, da mesma forma que dizer que algo é ‘animal’ converte a situação em algo fantástico.

                                                           

Quando os pais educam seus filhos lhes ensinam valores intrínsecos ao seu bem viver e como proceder em sociedade. Moral e ética, religiosidade e espiritualidade, até mesmo gostos em comum. Porém a vida em sociedade vai além daquilo tudo que aprendemos em casa e a cada nova situação vamos assimilando novos conhecimentos e formas de compreender, perceber, analisar e resolver os problemas da vida. O mundo cresce exponencialmente à medida que vamos nos envolvendo pela tessitura social e se torna impossível permanecer neutro perante as situações da vida. Em muitos casos somos obrigados a ser “oito ou oitenta”, em outros casos podemos ser outra coisa qualquer. A vida sempre nos permitirá novas escolhas e com elas as consequências que necessariamente nos farão crescer mais como pessoas.

Adentrar na escola é um desses momentos únicos na vida de qualquer pessoa e lá o universo cresce mais ainda. Nossa educação familiar agora sofre o embate constante de outras educações que ora se assemelham ora se opõem aquilo tudo que aprendemos. Ser quem somos exige de nós mudanças e resistências a estas, embora a cada instante precisamos estar atentos e prontos a adaptar-se, seja para ouvir o diferente e com ele aprender, seja para referendar aquilo que acreditamos estar certo. Em meio a esta batalha surge a figura do professor e todos os problemas a que já nos acostumamos a ouvir, desde o salário até as ameaças, sejam de pais ou alunos. O professor está em frangalhos, em maus lençóis, em apuros e por aí vai. A verdade é que a profissão nada é atraente e a mídia ainda corrobora para esfacelar de maneira bruta essa categoria. A escola tornou-se depósito e seus profissionais meros cuidadores. Feliz fica o professor ou a professora quando consegue encerrar o seu dia de trabalho expondo e discutindo as ideias, seu conteúdo, ensinando e aprendendo. Ser professor é estar pronto a aprender sempre, caso contrário a profissão transforma-se em mais um “empreguinho”, como afirmou recentemente um colunista na mídia.

Bem, aí vem a ideia de neutralidade, uma ideia há muito defendida nas ciências, inclusive nas humanas. Aliás, há quem critique as chamadas ciências humanas afirmando que sequer deveriam ser chamadas de ciências, visto que tomam o próprio ser humano como objeto de estudo e assim não teriam os cientistas sociais como se distanciar do objeto que estudam. Um físico estudando a natureza também não se distancia dela, não é mesmo? Ou o matemático estuda números de outra dimensão que não dizem respeito ao nosso universo imediato? O ranço maior é contra as ciências humanas, com toda certeza, e é lá onde se exige mais ainda uma suposta neutralidade que não há como existir. Nesse ponto emerge o debate de uma suposta doutrinação por parte dos professores sobre os alunos. Esta é uma afirmação muito grave.

A doutrina pode ser entendida como um conjunto de ideias que sustentam um sistema filosófico, político, religioso ou econômico, por exemplo. Nesse caso pode-se falar tanto em doutrina cristã quanto capitalista, liberal, comunista, etc. Surge então a ideia de que a escola pública brasileira esteja doutrinando seus alunos com ideais de esquerda, socialista, comunistas e marxistas, uma afirmação exagerada, para dizer o mínimo. E porque digo isso? Bem, se analisarmos a formação básica de nossos alunos egressos do ensino médio e iniciantes em qualquer curso universitário facilmente perceberemos que uma grande maioria sequer compreende os conceitos básicos da suposta doutrinação. Aliás, há tantos problemas em sala de aula que qualquer professor ou professora ficaria muito feliz se no meio centenas de alunos anuais uma ínfima parte conseguisse descrever satisfatoriamente os conceitos chaves de cada disciplina. Se levarmos em conta os aspectos psicológicos e a pressão exercida sobre os professores, ficaríamos aliviados se esses mesmos também compreendessem perfeitamente seus conceitos–chaves. Infelizmente não conhecemos sequer a fundo nossos direitos, a não ser quando são surrupiados de nós...


Quando encontramos algum aluno ou aluna mais interessados – aqueles que costumamos dizer: “Esse vai dar algo na vida!”, ou, “Nossa, que menina inteligente! Com certeza vai se dar muito bem, é muito inteligente!”, dificilmente estimulamos a ser professor ou professora. Eu mesmo passei por isso na escola e quando ingressei na licenciatura tive que ouvir de meus amigos e colegas: “Nossa Wagner, estais cursando história?! Não tinha um curso melhor?” As pessoas agem assim porque sabem que no fim seremos apenas um professor, um “empreguinho” qualquer, hoje quase um bico. Se não bastasse tudo isso, ainda somos taxados de doutrinadores. E, não, não é porque eu sou professor de sociologia e história minha revolta é maior. Aliás, essa revolta não é apenas minha.

A liberdade é o que está sendo posto em xeque. Não há como um professor ensinar sem se posicionar e existe um abismo enorme entre ensinar e obrigar os alunos a aceitarem uma determinada ideia. Em minhas aulas tenho alunos de diversas tendências religiosas, por exemplo. Quando eu era estudante os livros de ciências, geografia e história traziam o criacionismo e o evolucionismo, isso nos idos de 1992. Ainda hoje os livros tratam disso sem problema algum, afinal, é preciso respeitar as diversas teorias e isso aprendemos ainda na faculdade. Aos alunos digo que a escola trabalha como conhecimento científico, que a princípio é válido para todos, diferente de uma concepção religiosa, pois esta tem validade apenas aos grupos sociais que compartilham a mesma fé. É algo difícil para os alunos entenderem de início, mas assim que compreendem que suas verdades podem ser diferentes das verdades dos outros, fica mais fácil compreenderem do porquê a escola trabalhar com o conhecimento científico: este pretende uma validade universal e, embora as teorias possam ser rebatidas, o conhecimento científico vale para todos os grupos sociais. Se por acaso os alunos me questionam se concordo com a teoria evolucionista eu não posso me eximir da minha resposta. E se esta teoria for considerada uma afronta aos valores religiosos de um ou outro aluno em sala de aula? Ela deve ser extirpada dos bancos escolares? Bem, se você ainda vive com a cabeça na Idade Média, com certeza a resposta será sim...

O projeto Escola Sem Partido pretende impor essa suposta neutralidade, que não existe nem em seu nome: ser sem partido significa ser neutro? Nem aqui nem na Coréia! Há doutrinação esquerdista nas escolas? Se houvesse realmente as câmaras estaduais, municipais, prefeitos e governadores e maioria dos deputados e senadores não seriam de partidos de direita, não é mesmo?



Conviver significa viver juntos, com as semelhanças e as diferenças. Significa aceitar o preto e o branco e todos os tons de cinza que existem entre eles. Doutrinação ideológica é tentar passar uma ideia de neutralidade, de quem vive em cima do muro optando qual lado escolher conforme a direção do vento. E ideologia não se expressa apenas em palavras. Ideologia se expressa na marca das roupas, nos livros e filmes, no corte de cabelo, nas músicas que se ouve. A ideologia do professor ou da professora assim como todas as pessoas está encravada no seu jeito de ser, não pode ser retirada, apenas modificada, e olha lá...

Vivendo em tempos onde o pensar se torna cada vez mais relevante para um mundo melhor e onde as escolas são cada vez mais sucateadas, a figura do professor deixou de ser uma peça importante no quebra-cabeça social. Minha preocupação maior não é que alunos e alunas virem revolucionários de esquerda. Minha preocupação maior é saber que posso dividir um futuro com profissionais que saibam ouvir seus clientes, não respeitem a dor alheia, que não respeitem o meio ambiente, que provoquem o ódio contra o próximo. A continuar como está não precisaremos mais de escolas nem de professores. Estes serão considerados aliciadores, serão extintos e voltaremos ao tempo em que a educação escolar se torne um luxo de poucos. Com o deus google vigiando nossas vidas diariamente, para que precisaremos de mais escolas, não é mesmo?!

O texto é longo como todo desabafo tem que ser...



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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Verde vira memória



A modernidade se liquefaz concomitante às nossas memórias a escorrerem pelo rastro do tempo. A solidez do passado desmancha-se gradualmente e sua velocidade de desbotamento aumenta a cada dia. Estradas transformam-se em ruas que algum tempo depois são pavimentadas. O baldio vira fábrica e o silêncio um triste eco do tempo pretérito. O presente se desfaz na rotina barulhenta de um mundo em constante solução às crises que ele próprio cria. Para completar a ‘magia’ uma revolução tecnodigital que conecta a todos na distância enigmática dos seus lares. Nem as fotografias escapam.

Lugares por onde andei de bicicleta hoje transitam pesados veículos carregando frutos diversos do progresso econômico. Aqueles pobres cursos d’água que chamávamos de valo esconderam-se por debaixo de novos bairros. As sangas e regatos mais livres foram destituídas de sua pureza e domesticadas pelos canos de esgoto. A brincadeira ao ar livre foi presa em alguma recordação agridoce que talvez jamais será revivida pelas gerações vindouras. Resta-nos acreditar no futuro? Que lugar se dará um futuro qualquer? Quem sabe alguma distopia triste, uma caricatura dos avanços humanos sobre os restos de nós mesmos. O distante cinza da cidade grande agora emerge nas pequenas comunidades aviltando largas gargalhadas de seus mais ambiciosos coronéis. Ao passo que a riqueza se aproxima de poucos ‘afortunados’ a violência invade os espaços de todos: ricos e pobres equalizam misérias nas injustiças e suas vilanias mais cruéis. Ter e ser não se entendem nem se encontram: ter e esconder é o mais desejável, o que pode parecer paradoxo, afinal, qual seria o objetivo de tanto acumular se ninguém poderá sequer saber que tanto foi escondido?

Amplos espaços dominados por frondosas árvores, algumas da época da colonização, espaços onde nossos olhos podiam se maravilhar com o parco verde que ainda nos alcança são dizimados e seus moradores naturais – aves e toda sorte de animais terrestres – são despejados sem que possam ter o direito de minimamente serem recordados. Não precisamos proteger tímidos exemplares de nossa fauna, pois para eles estão garantidos os parques e reservas, pensamos. Numa inversão burlesca pode-se inquirir tratar-se os novos loteamentos que pipocam nas periferias de reservas outras destinadas ao gado humano. Às reses de maior prestígio garantem-se reservas com fios elétricos nos seus altos muros: não poderia haver símbolo maior para o holocausto da vida coletiva! Eis um tempo onde poderemos contar nos dedos crianças a divertirem-se livremente em suas jaulas!

Solapados por nossos sonhos de crescimento tentamos encontrar um lapso de felicidade nos encontros de amigos e colegas de escola. Engordurados por uma vida agonizante em que os ponteiros do relógio riem do nosso estresse diário rememoramos os bons tempos de uma vida sem conexão digital, sem redes sociais, mas repleta de conexões sentimentais, espirituais, culturais e redes de desconhecimento do que quer que fosse (mesmo quando na verdade pouco se sabia sobre coisa qualquer). Em nossa ignorância de gente simples da cidade pequena éramos felizes por não haver entre nós nenhum cinéfilo, bibliófilo, crítico cultural ou outra pessoa qualquer academicamente domesticada por esse universo de possibilidades e oportunidades contemporâneas. Os mais velhos ainda eram vivos, hoje são retratos fossilizados em jazigos tão silenciosos quanto sua presença nos devaneios desses que agora avançam seus passos. Aliás, a palavra presença carrega consigo um significado que ainda não havia me apercebido: o presente da ausência. Aqueles mais velhos tornaram-se história, escrita ou apagada. Os que eram jovens hoje resmungam por não se entenderem com os jovens do presente. Todavia, tanto jovens quanto adultos tornamo-nos apenas uma presença: uma ausência sempre presente. Assim o espaço a nossa volta se transforma de natural a humano, de rural a urbano e o verde cede o seu devir a um porvir cada vez mais incerto.

Onde havia árvores agora há postes, onde corria a água mais pura agora corre o nosso dejeto. Onde voava a liberdade, agora voam veículos barulhentos. Onde a brisa do vento cantava sinfonias de sonhos solapam nossos ouvidos com desrespeito entre vizinhos: quem faz mais ruídos se torna o mais gabado.

À noite ainda ouvíamos grilos e sapos e quando chovia era gostoso correr por entre seus pingos. Hoje somente o costume de dormir sem nunca nada realmente ouvir. A falta da energia elétrica, as famosas quedas, tornaram-se raríssimas e como um fantasma que se assombra num espelho, é nesse equivoco tecnológico que podemos ouvir nossas vozes em meio ao respirar da natureza: o silêncio expiado da nossa convivência é uma música inaudita que ainda a alguns encanta. Não era um mundo mais perfeito do que é agora e nem precisa ser na realidade. Era mais simples, mais direto. Era maior, amplamente vago, é verdade, mas intimamente tudo tão mais perto.



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terça-feira, 28 de junho de 2016

Aqui existe um rio

Fonte: http://criciumanews.com.br/2014/11/04/mais-24-mil-mudas-de-arvores
-serao-plantadas-as-margens-do-rio-sangao-em-forquilhinha/



O desastre ecológico de Mariana/MG, suscita um debate constante sobre o progresso, esse ente ‘intocável’ que faz a roda do mundo girar. No Sul catarinense nossos rios há muito também deixaram de ser ‘Doces’ e alguns sequer são lembrados como rios pela própria população.

Muito se discute sobre o que o futuro nos reserva em relação a água e seu uso ‘racionalmente’ desperdiçado diariamente. A construção de barragens tornou-se um “mal ambiental” necessário à nossa existência. A região carbonífera estaria sofrendo com a escassez de água potável se não tivéssemos a barragem do rio São Bento. Mais ao Sul trava-se antiga batalha pela construção da barragem do rio do Salto. Questões políticas a atrasam e põem em pauta os impactos que representa. Fatores ecológicos, sociais e éticos, afinal um rio é sempre mais do que um simples elemento a figurar em meio à paisagem. A água é envolta em simbologias, como citava Bachelard poeticamente em “A água e os sonhos”. Gilberto Freyre ao analisar a cultura da cana-de-açúcar na formação do Nordeste brasileiro conseguiu perceber a íntima relação entre o ser humano e a água dos rios. Nos idos de 1937 já denunciava a degradação que os rios sofriam com o avanço do progresso desmedido. Antes dele, José Bonifácio ecoava medidas de proteção às nascentes e vegetação dos morros nos finais do século XVIII. Distantes no tempo e atuais em suas prerrogativas: indiscriminadamente destruímos nossas maiores riquezas e hoje corremos o risco de sufocar no acúmulo de nossos comodismos.

Recentemente tivemos duas publicações sobre rios de nossa região, o Mãe Luzia e o Criciúma, este último típico representante urbano: escondido em tubulações que domam suas curvas. Contudo, outros rios jazem emudecidos em seus leitos desprovidos de qualquer esperança. O rio Sangão talvez seja o mais danificado entre todos, assemelhando-se a uma vala aberta para retirada do carvão, sendo-lhe a água algo muito distante do que se possa chamar de vida. A degradação e poluição de nossos rios alcançou níveis tão extremos que muitos sequer os percebem como rios, mortos que sejam. Assim é o rio Sangão, como um corpo abandonado na sua indigência de perecer, sem o direito de ser considerado um estéril leito de morte, unicamente alcunhado: esgoto.

O esforço da sociedade civil em prol de nossos rios urge cobrar de nossos governantes sensibilizar-se com as questões socioambientais. Aqui, entre a vegetação que teima em “ciliar-se” jaz um rio. Os avanços de nossa sociedade o mataram, mas teremos coragem de ressuscitá-lo?


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